ESG

O DNA de sustentabilidade do modelo de redes neutras de fibra óptica

A pandemia da Covid-19 impulsionou a digitalização da economia, com a internet garantindo a continuidade das atividades econômicas, educacionais e de lazer. Processos migraram para ambientes digitais e milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidos na atmosfera no mundo

Fibra óptica: Cada vez mais empresas vêm adotando uma agenda ESG ligada à inovação, favorecendo o surgimento de novas tecnologias e novos modelos de negócio que já estão mudando o status quo (Thinkstock/Streager/Getty Images)

Fibra óptica: Cada vez mais empresas vêm adotando uma agenda ESG ligada à inovação, favorecendo o surgimento de novas tecnologias e novos modelos de negócio que já estão mudando o status quo (Thinkstock/Streager/Getty Images)

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Por Maria Cláudia Cunha

22 de janeiro de 2023, 08h03

As mudanças climáticas, alterações nas características do clima que são atribuídas às atividades humanas, são realidade. Em 2022, inundações acima do normal no Paquistão e na China impactaram milhões de pessoas; vivenciamos um dos maiores números de focos de incêndio na Amazônia da história e houve ondas de calor recorde nos EUA e na Europa.  

Esse processo impacta a produção de alimentos, de energia, o acesso à água potável, a fauna e a flora, entre outros. Mas, apesar desse cenário, há notícias boas, como o maior engajamento dos governos, de organizações não governamentais e multilaterais, bem como da sociedade, mercado financeiro e de parcela importante do mundo corporativo.   

Cada vez mais empresas vêm adotando uma agenda ESG ligada à inovação, favorecendo o surgimento de novas tecnologias e novos modelos de negócio que já estão mudando o status quo. Um exemplo é o conceito de mobilidade urbana de empresas como a alemã Volocopter, que fabrica veículos aéreos elétricos pessoais, que promete, já em 2024, serviços como agendar por VoloCity pelo telefone, embarcar em um dos VoloPorts e chegar ao destino em minutos - sem emissões. Ou ainda, VoloDrones que entregarão cargas. Para isso, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) até já iniciou a construção de regulamentos para a operação de táxis voadores no ambiente urbano.   

Em outra frente, a das telecomunicações, podemos falar de um futuro que já é presente: o negócio de rede neutra de fibra óptica aberta e compartilhada, de potencial disruptivo. Esse modelo permite a expansão do acesso à internet de ultra velocidade por operadoras e provedores de diferentes portes e regiões do país, impulsionando, através da inclusão digital, o surgimento de novos negócios e o desenvolvimento regional, além de ser mais sustentável do ponto de vista ambiental e financeiro.  

A pandemia da Covid-19 impulsionou a digitalização da economia, com a internet garantindo a continuidade das atividades econômicas, educacionais e de lazer. Processos migraram para ambientes digitais e milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidos na atmosfera no mundo.  

Começamos, assim, uma nova era nas atividades humanas, com outras demandas e oportunidades e com a infraestrutura de telecomunicações no centro deste paradigma em transformação, incluindo as próprias empresas do setor. E é aí que o novo modelo de rede neutra compartilhada de fibra óptica adquire um papel estratégico para o desenvolvimento sustentável.  

Uma só infraestrutura utilizada por diversas operadoras e provedores de internet exige menor quantidade de insumos e matéria-prima – boa parte de origem mineral – para ser construída e para sua manutenção. Favorece a organização urbana e acelera o acesso à internet de alta velocidade e tudo o que ela oferece. E facilita o surgimento de novos negócios, como as tel-techs.   

Assim, podemos afirmar que as redes neutras de fibra óptica são a materialização da economia do compartilhamento no setor de telecomunicações, que é um dos pilares de uma economia mais sustentável, na medida em que evita que cada empresa construa a sua própria rede, eliminando o “overbuild”, ou sobreposição de múltiplas redes proprietárias. A fibra, enquanto tecnologia de transmissão de dados, ainda tem um ciclo de vida mais longo quando comparada às tecnologias legadas e economiza mais energia, já que por ela trafega luz.    

Este novo modelo traz os pilares de ESG em seu DNA e se propõe a ser o grande viabilizador da expansão da digitalização do país e ser um importante vetor para contribuir, através da tecnologia, com a sustentabilidade de negócios e da nossa sociedade.  

(*) Maria Cláudia Cunha é vice-presidente de Governança, Sustentabilidade e Auditoria da V.tal