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Entre a crise climática e os combustíveis fósseis, um novo roteiro

No ESG Summit da EXAME, proposta discutida durante a COP30 prevê “mapas do caminho” adaptados à realidade de cada país para orientar decisões sobre transição energética

Flávia Bellaguarda, assessora especial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para a COP30, abordou o avanço das discussões sobre os chamados “mapas do caminho”, durante o ESG Summit da EXAME (Eduardo Frazão)

Flávia Bellaguarda, assessora especial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para a COP30, abordou o avanço das discussões sobre os chamados “mapas do caminho”, durante o ESG Summit da EXAME (Eduardo Frazão)

Caroline Marino
Caroline Marino

Jornalista especializada em carreira, RH e negócios

Publicado em 28 de maio de 2026 às 17h22.

A transição energética e os caminhos para reduzir a dependência de combustíveis fósseis entraram de vez na agenda corporativa e diplomática.

Na abertura do ESG Summit 2026, evento promovido pela Exame e realizado nesta quarta-feira, 28, em São Paulo, Flávia Bellaguarda, assessora especial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para a COP30, abordou o avanço das discussões sobre os chamados “mapas do caminho” — planos estratégicos que estabelecem metas, prazos e diretrizes para reduzir gradualmente a dependência de petróleo, carvão e gás natural, e acelerar a transição para fontes renováveis.

O debate acontece em meio ao avanço da crise climática, à pressão crescente por redução de emissões e a um cenário global marcado por insegurança energética e tensões geopolíticas.

Hoje, a queima de combustíveis fósseis segue entre as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa. E os impactos vão além do clima.

A combustão de carvão, petróleo e gás libera poluentes associados a doenças respiratórias, cardiovasculares e até câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar mata cerca de 7 milhões de pessoas em todo o mundo.

A nova rota

O mapa do caminho funciona como instrumento para orientar a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis a partir de diretrizes de transição energética adaptadas à realidade de cada país.

A proposta ganhou força durante a COP30, após articulações lideradas pelo governo brasileiro, mesmo sem fazer parte oficialmente da agenda inicial.

“A narrativa era de que os países não estavam prontos para discutir isso, mas o que vimos foi justamente o contrário. O apoio passou de um ou dois países no início para 85 ao final da COP ”, disse Flávia durante a apresentação que abriu o evento, voltado à discussão de estratégias para integrar critérios ambientais, sociais e de governança à sustentabilidade dos negócios.

Segundo a assessora, o governo brasileiro já iniciou um processo de construção do mapa do caminho nacional.

As discussões envolvem os ministérios de Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente, e Casa Civil. Após a consolidação das diretrizes, o tema deve avançar para análise no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ligado ao Ministério de Minas e Energia. A partir daí, a ideia é ampliar a mobilização e abrir espaço para diálogo com a sociedade civil.

Os mapas, explicou, funcionam como ferramentas de planejamento para lidar com decisões complexas em meio a um cenário de crise climática e escassez de recursos.

“Servem para nos dar direcionamento porque é muito difícil tomar decisões complexas quando estamos no meio da crise”, afirmou.

Transição gradual

Outro ponto destacado na apresentação foi que a proposta não envolve uma substituição imediata dos combustíveis fósseis, mas uma transição gradual, construída a partir de negociações e definição de prioridades.

“Não se trata de ‘desligar’ o combustível fóssil e ‘ligar’ outras formas de energia”, disse. A intenção é antecipar discussões difíceis para que o país tenha alternativas planejadas diante de cenários mais críticos no futuro. “Estamos em um momento de travessia e os mapas vêm para auxiliar nesse caminho.”

Flávia também destacou a importância de conectar o assunto às discussões multilaterais conduzidas no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Segundo ela, o alinhamento internacional permite ampliar a troca de experiências entre países, incluindo erros, acertos e diferentes abordagens de transição energética.

Para a assessora, fortalecer a agenda internamente também amplia o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas globais.

“Dessa forma, conseguimos articular posições de liderança,  incentivar e inspirar outros países”, disse.

Ao abordar as resistências em torno do tema, defendeu que o debate não deve ser tratado como uma disputa entre lados opostos.

Não é um contra o outro, nem uma narrativa de ‘certo ou errado’, mas um espaço legítimo para discutir decisões complexas e construir consensos possíveis em torno da transição energética”, explicou.

“Quanto mais encontramos o meio do caminho, mais nos fortalecemos como país e como humanidade”, concluiu.

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