Mulheres ocupam 14% das cadeiras em Conselhos de Administração no Brasil, diz pesquisa

Segundo a pesquisa Brasil Board Index 2021, em 2020, 57% dos conselhos tinha ao menos uma mulher. Já em 2021, o índice subiu para 65%
Mulheres em cargos de liderança: dente os desafios estão equilíbrio entre vida profissional e pessoal, falta de representação e preconceito (monkeybusinessimages/Getty Images)
Mulheres em cargos de liderança: dente os desafios estão equilíbrio entre vida profissional e pessoal, falta de representação e preconceito (monkeybusinessimages/Getty Images)
F
Fernanda Bastos

Publicado em 06/10/2022 às 15:40.

Última atualização em 06/10/2022 às 15:41.

O porcentual de mulheres nos Conselhos de Administração das empresas brasileiras aumentou, porém, há espaço para melhorias quando o assunto é diversidade nas cadeiras de conselhos.  Segundo a pesquisa Brasil Board Index 2021, da empresa de consultoria Spencer Stuart, as mulheres ocupam 14,3% das cadeiras dos Conselhos de Administração no Brasil. No ano passado, o contingente correspondia a 11,5% das cadeiras. A pesquisa também mostra que, neste ano, 65% dos conselhos têm ao menos uma representante mulher, em 2020 o índice era de 57%. 

O mapeamento da Brasil Board Index contou com 211 empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) em segmentos diferentes de governança corporativa. Os resultados da pesquisa foram debatidos no  3º Encontro do Programa + Mulheres na Governança, realizado pelo Grupo Mulheres Executivas (MEX) e a Lapidus Network, que teve 50 líderes mulheres participando de discussões e rodas de conversa.

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias que afetam o seu bolso. Tudo por menos de R$ 0,37/dia

Segundo André Freire, especialista em recrutamento de executivas e conselheiras na EXEC, consultoria de recursos humanos, o primeiro passo para aumentar o número de mulheres em cargos de governança é entender a disparidade existente. “Alguns motivos que levam a isso são a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a falta de modelos e o preconceito inconsciente'', explica Freire.

Já de acordo com o estudo “Retrato da Conselheira no Brasil”, publicado pelo Women Corporate Directors (WCD), as mulheres que ocupam a função de conselheiras são brancas (97%), entre 51 e 60 anos (45%), mães (82%), cisgêneros (88%), heterossexuais (98%) e residentes no Estado de São Paulo (74%). 

Programas para fortalecer a diversidade

Para aumentar a diversidade nas empresas de capital aberto, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) pretende exigir que as companhias cumpram uma meta de inclusão de mulheres e pessoas pretas, trabalhadores LGBTQIA+ e pessoas com deficiência, em conselhos e diretorias. Caso a norma seja aprovada, o prazo para cumprimento é até 2026 e, as empresas que descumprirem poderão sofrer consequências, inclusive abertura de processo para a "deslistagem".

Muitos programas buscam fortalecer as lideranças femininas dentro da governança corporativa. Este é o caso do Programa + Mulheres na Governança. Segundo a diretora da Lapidus Network, Regina Arns, este é um incentivo para as mulheres buscarem autoconhecimento e ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho. “As palestras que estão sendo realizadas são baseadas em uma metodologia e trazem conhecimento e conteúdos relevantes para organizar a experiência das participantes. Além disso, os encontros têm nos permitido interações e fortalecimento de network”, enfatiza.

Camile Bertolini Di Giglio, membra do Fórum das Empresas Familiares no IBGC/SP e coordenadora do Fórum dos Empresários no Vale do Taquari/RS, discursou no evento e comenta que o processo para lidar com governança tem mais pontos do que os considerados à primeira vista. “Quando a gente começa a desenvolver governança, começamos a mexer com família, propriedade, dinheiro. A cartilha do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) fala que é uma tríade, que tem amor envolvido, mas também tem uma questão de dinheiro muito forte e às vezes a gente acaba se corrompendo por causa dessas questões”, analisa Di Giglio.

Por último, Freire comenta que uma das dificuldades para as mulheres é a falta de clareza no decorrer da tomada de decisões. “Para virar uma conselheira quais são as preparações? Tenho que fazer curso? Como que eu vou para o mercado de trabalho? Como preparo o material? Qual tipo de divulgação tenho que ter para o meu perfil? Quais as soft e hard skills que o mercado está procurando? Essas são algumas questões que permeiam a cabeça das mulheres quando o assunto é assumir cargos de liderança e conselhos”, conclui Freire.

Assine a newsletter EXAME ESG, com os conteúdos mais relevantes sobre diversidade e sustentabilidade nos negócios