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A organização pede que governos adotem planos nacionais com metas claras para reduzir a desigualdade (Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 06h00.
A riqueza coletiva dos bilionários no mundo atingiu um pico histórico de US$ 18,3 trilhões em 2025, após um salto de 16% no ano, ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos. Os dados são de um novo relatório da Oxfam, "Resistindo ao Domínio dos Ricos", divulgado nesta segunda-feira por ocasião da abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos.
O aumento de US$ 2,5 trilhões na fortuna dos bilionários em apenas um ano quase equivale à riqueza total detida pela metade mais pobre da humanidade – cerca de 4,1 bilhões de pessoas. Esse montante, segundo a organização, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3.000 em 2025. Elon Musk tornou-se o primeiro a acumular fortuna superior a meio trilhão de dólares.
O relatório aponta que, desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, enquanto uma em cada quatro pessoas no mundo sofre com insegurança alimentar e quase metade da população global vive na pobreza.
A Oxfam atribui parte dessa aceleração a políticas pró-ricos, citando a administração Trump nos EUA, que reduziu impostos para os mais ricos e reverteu medidas de regulação.
No Brasil, a desigualdade também atinge níveis extremos: o país tem o maior número de bilionários da América Latina: 66 pessoas, com fortuna combinada de US$ 253 bilhões.
Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, critica o sistema tributário regressivo e defende avanços na taxação de dividendos, grandes fortunas e heranças. "Avançar em uma reforma tributária verdadeiramente progressiva é essencial para reduzir desigualdades históricas", afirma.
A organização também destaca a influência política desproporcional dos super-ricos: bilionários têm 4.000 vezes mais chance de ocupar cargos políticos do que uma pessoa comum. Quase metade dos entrevistados em 66 países acredita que os ricos "frequentemente compram eleições".
O relatório alerta para o domínio de bilionários sobre veículos de comunicação e redes sociais, citando exemplos como Elon Musk no X (antigo Twitter), Jeff Bezos no Washington Post e Vincent Bolloré na rede francesa CNews. A concentração midiática, segundo a Oxfam, tem impactado a diversidade de vozes e alimentado discursos de ódio – estudo aponta aumento de 50% nesse tipo de conteúdo no X após a aquisição por Musk.
Em paralelo, liberdades civis e direitos políticos seguem em declínio: 2024 foi o 19º ano consecutivo de retrocesso, com um quarto dos países restringindo liberdade de expressão. A Oxfam afirma que países muito desiguais têm sete vezes mais risco de sofrer erosão democrática.
A organização pede que governos adotem planos nacionais com metas claras para reduzir a desigualdade, implementem tributação progressiva sobre renda e riqueza, criem barreiras mais fortes entre dinheiro e política e garantam maior participação social e proteção a liberdades fundamentais.
"Os governos estão fazendo escolhas erradas para agradar à elite, enquanto reprimem os direitos das pessoas", afirma Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional.