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Onda de calor pode atingir 42°C no Sul e coloca 511 municípios em alerta

Especialista explica por que a alta nos termômetros deve persistir nos próximos dias e descarta relação com El Niño: "É mais um extremo agravado pelas mudanças climáticas"

Mais de 6,5 milhões de pessoas devem ser afetadas pelas altas temperaturas e autoridades de saúde recomendam cuidados redobrados (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Mais de 6,5 milhões de pessoas devem ser afetadas pelas altas temperaturas e autoridades de saúde recomendam cuidados redobrados (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 12h08.

Uma onda de calor com temperaturas pelo menos 5°C acima da média histórica por cinco dias consecutivos atinge o Sul do Brasil nesta semana, com máximas que podem chegar a 42°C em algumas regiões.

O evento extremo é provocado por um sistema frontal praticamente estacionado sobre a região Sudeste, sem contraste térmico suficiente para se deslocar.

A explicação é do meteorologista Willians Bini, head de Projetos na METOS Brasil, que detalha o fenômeno climático por trás das temperaturas extremas previstas para os próximos dias.

"Os sistemas são comuns, o que não é normal é ficar parado dias seguidos. A alta nos termômetros irá seguir até que outro atue e podemos esperar temperaturas beirando na casa dos 40ºC", disse Willians em entrevista à EXAME.

Diante do cenário agravado pelas mudanças climáticas, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho (o mais grave da escala) para 511 municípios da região Sul a partir desta terça-feira, 3, e até sexta-feira, 6.

Mais de 6,5 milhões de pessoas devem ser afetadas pelas altas temperaturas, segundo dados do IBGE. As principais áreas atingidas incluem as regiões oeste e norte de Santa Catarina; sudoeste, noroeste, nordeste e centro do Rio Grande do Sul; e as regiões sudoeste, centro e sudeste do Paraná.

++ Leia mais: Ondas de calor: quais cuidados tomar, segundo órgãos oficiais de saúde

As capitais Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, assim como o litoral dos três estados, não devem ser afetadas pela onda de calor.

Para outras partes do país, o Inmet prevê que as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do território nacional ao longo de fevereiro.

Reflexo das mudanças climáticas

O meteorologista chama a atenção para o cuidado ao classificar a onda de calor em curso e ressalta que não se trata de uma Zona de Convergência (ZCAS - Zona de Convergência do Atlântico Sul): sistema meteorológico que forma uma "faixa" ou "corredor" de nuvens e chuvas que vai desde a Amazônia, passa pelo Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, e se estende até o Atlântico Sul.

"Muitos confundem e pensam que é a ZCAS que leva ao estacionamento do sistema frontal. Mas é preciso cautela: essa zona tem características como a duração de sete dias, outros sistemas atuando em conjunto, alta pressão. Ou seja, não se caracteriza neste caso", explicou.

O especialista também alerta que o evento [grifar]não tem relação direta com El Niño ou La Niña e lembra que temperaturas elevadas são mais comuns durante o verão.

O que chama atenção, no entanto, é a intensidade e a persistência do calor, características cada vez mais frequentes em um cenário de mudanças climáticas.

Autoridades de saúde reforçam a importância da hidratação constante, mesmo sem sede, da redução da exposição ao sol, especialmente entre 10h e 16h, e da permanência em ambientes ventilados ou climatizados.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada, já que o calor extremo aumenta o risco de desidratação, exaustão térmica e insolação.

Chuvas fortes em São Paulo

Enquanto o Sul enfrenta temperaturas extremas, São Paulo deve registrar chuvas fortes com nesta terça-feira, 3, principalmente no oeste paulista, próximo à divisa com o Paraná.

A Defesa Civil do Estado divulgou alerta para risco de precipitações acompanhadas por raios, rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo em diversas regiões.

Previsões meteorológicas indicam forte precipitação nas regiões do Vale do Ribeira, Itapeva, Sorocaba e Bauru. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) afirmou que manterá plantão 24 horas durante o período e o Gabinete de Crise funcionará em formato remoto, com todas as concessionárias mobilizadas.

Em casos de emergência relacionados às condições meteorológicas extremas, a Defesa Civil pode ser contatada pelo telefone 199.

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