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Com apenas uma impressora 3D, alunos dessa escola aprenderam a gerir uma startup do zero

No projeto GradVentures, turmas criam e vendem produtos reais para custear a formatura

 (Divulgação)

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Publicado em 11 de agosto de 2026 às 18h00.

Sessenta alunos, uma única impressora 3D e uma meta em comum: pagar a própria formatura. Na Escola Santo Tomás de Aquino, o dinheiro da festa de fim de ano não vem mais só de rifa ou mensalidade extra.

Ele vem de vendas reais, de produtos desenhados, precificados e fabricados pelos próprios estudantes dentro do projeto GradVentures.

A ideia nasceu nas reuniões de planejamento da eletiva de Empreendedorismo, entre dezembro e janeiro de 2026. Em vez de separar a arrecadação da formatura do conteúdo da disciplina, os professores decidiram fundir as duas coisas em um propósito único, capaz de engajar as turmas em um projeto de aprendizado real.

O gatilho virou a estrutura de tudo o que veio depois: startups estudantis de manufatura sob demanda, com CAD, impressão 3D, precificação e fluxo de caixa de verdade.

Uma impressora para todo mundo

O maior gargalo do GradVentures não foi pedagógico, foi de capacidade produtiva. Com uma única impressora 3D disponível para todas as equipes, a escola precisou estruturar uma escala de rodízio semanal entre os grupos.

A restrição, que a princípio parecia um problema, virou o principal aprendizado prático do projeto. Os alunos passaram a lidar, na prática, com planejamento de entregas, gestão de prioridades e decisões de última hora quando um protótipo falhava ou a produção atrasava. "O desafio técnico foi gerenciar a logística da manufatura.

No fim, essa restrição foi extremamente vantajosa, pois ensinou aos estudantes como lidar com capacidade produtiva limitada", diz Gabriel Arthur Fonseca Costa, professor de Física e Tecnologia Educacional e responsável pela frente maker do projeto.

Diretoria, custo direto e ponto de equilíbrio

Enquanto uma frente cuida do design e da produção, outra toca a parte financeira. As turmas se dividem em "diretorias", com responsáveis por produção, finanças, marketing e liderança de equipe, uma estrutura que espelha a de uma empresa real.

A base é a educação financeira, trabalhada com os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental Anos Finais. Capital inicial, precificação, custo direto do produto, custos operacionais, margem de contribuição e ponto de equilíbrio deixam de ser conceitos de lousa para virar planilha de negócio de verdade, incluindo a diferença prática entre faturamento e lucro.

"Um empreendedor que não saiba gerenciar seus recursos, financeiros e não financeiros, dificilmente permanece e prospera no mercado, por melhor que seja sua ideia", diz Carlos Ronan Braga, professor de Empreendedorismo e Inovação.

De um amplificador sem bluetooth a porta-joias

Das oito startups que saíram da eletiva, cada uma resolveu um problema de nicho. O 3D Audio criou um amplificador passivo que aumenta o volume do celular usando princípios de acústica, sem depender de caixa de som bluetooth.

O Suporte L desenvolveu um suporte de lâminas para organização do dia a dia. A Krocstyle apostou na febre dos calçados estilo Crocs com pins personalizados, e a O-Smile mirou consultórios odontológicos, garantindo previsibilidade de receita com venda em massa para um público fixo.

Já a Maresia, com porta-joias, se destacou pela estratégia de marketing e storytelling, e a 3D Tech chegou a planejar expandir as operações para além do ambiente escolar, se estruturando como uma empresa de verdade.

O que a experiência deixou

Lara de Souza Campos Figueiredo, aluna do 2º ano e CEO da startup Suporte L, credita ao projeto uma mudança de perspectiva sobre o próprio futuro profissional.

"Colocar em prática um projeto é uma das maiores satisfações que um empreendedor pode ter. As orientações dos professores foram fundamentais para a viabilização dos produtos, aprendizados que pude aplicar na minha startup em conjunto com a minha equipe", diz Lara.

O valor total arrecadado ainda está sendo apurado, com relatório financeiro individual de cada startup previsto para dashboards ao longo do segundo semestre. A escola também deixou em aberto o destino do lucro: usá-lo para custear parte das cerimônias de formatura é sugestão dos professores, mas a decisão final cabe aos próprios alunos.

Para Carlos Ronan, o resultado já está claro antes mesmo do balanço final. "O GradVentures transforma a visão dos alunos sobre a criação, o enfrentamento de problemas reais e a gestão de um negócio, através da experiência e da ação estrategicamente direcionada pelos professores mentores", diz o professor.

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