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Setor financeiro tem desafios extras para implementar IA

Apesar da exigência cada vez maior por agilidade, mecanismos de governança que garantam o uso responsável da tecnologia são essenciais

 (Imagem gerada por IA/Exame)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 26 de julho de 2026 às 11h00.

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Por Tathyane Brait*

Na era da hiperconectividade, tudo funciona em ritmo acelerado — e o que não funciona, nós tratamos de acelerar. É assim com áudios longos e até com vídeos curtos, que já não parecem curtos o suficiente. A internet modificou para sempre nossa percepção sobre o tempo e, nos últimos anos, com o avanço da inteligência artificial, essa relação ganhou novos contornos.

Em apenas três anos, o ChatGPT, uma das ferramentas de inteligência artificial generativa mais conhecidas do mundo, alcançou a marca de 700 milhões de usuários, de acordo com relatório divulgado pela OpenAI, desenvolvedora da plataforma, em setembro de 2025.

Essa rápida evolução demanda investimentos que podem chegar à casa dos bilhões, envolvendo softwares, infraestrutura de servidores, capacidade computacional e uma ampla equipe formada por cientistas de dados, engenheiros e especialistas. Todo esse movimento indica que a IA é um caminho sem volta: ela chegou para ficar.

Embora suas aplicações sejam inúmeras, setores altamente regulados, como o financeiro, enfrentam desafios particulares. A necessidade de equilibrar inovação e gestão eficiente de riscos, sempre em conformidade com normas rígidas, tende a tornar o processo mais lento.

Qualidade das informações

Por outro lado, esse cuidado também oferece uma vantagem importante: o tempo adicional dedicado a testes, validações e verificações de segurança ajuda a garantir que as soluções sejam lançadas e implementadas de forma mais confiável, reduzindo riscos relacionados à proteção de dados, à segurança cibernética e a possíveis alucinações, que ocorrem quando sistemas de IA generativa geram informações erradas, falsas ou inventadas.

Para que a IA atue como ferramenta estratégica, e não como obstáculo, é fundamental estabelecer fluxos rigorosos de utilização e de alimentação do modelo: sua utilidade é proporcional à qualidade da informação que a abastece. Daí a importância de definir, de forma mais estruturada, onde a tecnologia deve ser aplicada e quais limites precisam ser observados ao longo da sua utilização.

Nesse contexto, avançar com inteligência artificial no setor financeiro passa, inevitavelmente, por estruturar mecanismos consistentes de governança, que garantam não só o uso responsável da tecnologia, mas também a sua integração segura aos processos já existentes.

Essa construção não acontece de forma isolada, ela ganha valor quando é compartilhada e discutida com clientes e parceiros, permitindo evoluir o uso de IA de forma mais madura, transparente e alinhada às demandas reais do mercado.

Neste cenário, o contexto precisa, obrigatoriamente, superar a pressa garantindo que a IA compreenda histórico, a situação atual e até previsões futuras para fornecer insights e serviços superiores aos produzidos por uma equipe humana.

Ainda assim, o uso da inteligência artificial generativa de forma intencional e contextualizada não elimina a necessidade de supervisão humana. Pelo contrário: coloca o profissional em uma posição ainda mais estratégica. Enquanto a ferramenta assume o processamento e o cruzamento de dados, o ser humano ganha mais tempo para exercer e aprimorar análises críticas, o pensamento criativo e habilidades comportamentais, como resiliência e colaboração, coexistindo de forma mais produtiva com a inovação.

*Tathyane Brait é superintendente de produtos do banco BV

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