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O Pantanal é uma das regiões mais importantes para a onça-pintada no Brasil (Julie Larsen Maher/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 29 de março de 2026 às 07h59.
A onça-pintada, maior felino das Américas, ganhou destaque nas discussões da COP15 ao expor um dos maiores desafios da conservação ambiental hoje: proteger espécies que não reconhecem fronteiras.
Capaz de percorrer dezenas de quilômetros em poucos dias e atravessar países como Brasil, Paraguai e Bolívia, o animal depende de grandes áreas conectadas para sobreviver — o que torna a cooperação internacional essencial. Nesse contexto, a conferência sobre espécies migratórias abre caminho para políticas que podem fortalecer a proteção da espécie em toda a América do Sul.
A COP15 da Convenção da ONU sobre as Espécies Migratórias colocou a onça-pintada no centro do debate justamente por sua característica mais marcante: a mobilidade.
Diferente de espécies restritas a territórios menores, a onça percorre grandes distâncias e pode cruzar fronteiras nacionais sem qualquer barreira natural. Isso transforma sua conservação em um desafio internacional, que depende da coordenação entre diferentes países.
A principal contribuição da COP15 está na articulação entre países.
Na prática, isso pode resultar em:
Como a onça depende de territórios amplos e conectados, medidas isoladas tendem a ser menos eficazes. A proteção só funciona de forma consistente quando há continuidade entre os habitats.
Um dos conceitos mais discutidos no evento é o de conectividade.
Corredores ecológicos permitem que a onça-pintada circule entre diferentes áreas naturais, mantendo fluxo genético e acesso a alimento. Sem isso, populações ficam isoladas, o que aumenta o risco de extinção local.
Esse ponto é especialmente relevante em regiões próximas a fronteiras, como o Pantanal, que concentra populações importantes da espécie.
A proteção da onça não é apenas sobre salvar uma espécie emblemática.
Como predador de topo, ela desempenha um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas. Sua presença indica que há alimento disponível e que o ambiente está saudável.
Quando a onça desaparece, isso pode desencadear desequilíbrios em toda a cadeia alimentar, afetando outras espécies e o próprio funcionamento do ecossistema.
Os principais refúgios da espécie hoje estão em áreas com maior nível de proteção, como unidades de conservação e terras indígenas.
Na Amazônia brasileira, um estudo citado pela WWF estimou cerca de 26.680 onças-pintadas distribuídas em 447 áreas analisadas.
Desse total, aproximadamente 63,2% estão em terras indígenas — regiões que apresentam menor pressão ambiental e maior preservação de habitat.
Isso reforça o papel dessas áreas como fundamentais para a sobrevivência da espécie.
Apesar de protegida por lei, a onça-pintada enfrenta pressões crescentes.
Entre as principais ameaças estão:
Em estados como Pará e Mato Grosso, mais de 27 milhões de hectares de habitat original já foram convertidos para uso agropecuário.
Além disso, em regiões como a Mata Atlântica, a caça pode estar associada a até 60% da redução da população adulta em algumas áreas, segundo dados do ICMBio.
A situação varia bastante entre os biomas brasileiros.
Na Mata Atlântica do sul, a espécie está em estado crítico, com populações pequenas, isoladas e altamente vulneráveis.
Já na Amazônia, embora o cenário seja mais favorável, a pressão do desmatamento e da expansão agropecuária avança rapidamente, ameaçando a conectividade necessária para a sobrevivência da espécie.
O Pantanal é uma das regiões mais importantes para a onça-pintada no Brasil.
Além de concentrar populações relevantes, o bioma tem uma posição estratégica por estar próximo a outros países, o que reforça a necessidade de cooperação internacional.
No entanto, mudanças no regime de água e o aumento de incêndios têm colocado pressão sobre o habitat local.
A COP15 não cria leis diretamente, mas influencia políticas públicas e acordos entre países.
No caso da onça-pintada, os principais avanços esperados incluem:
A longo prazo, essas ações podem reduzir a fragmentação de habitat e melhorar as chances de sobrevivência da espécie.