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Conheça o país que vende seu passaporte para combater as mudanças climáticas

Valor será destinado para a realocação de 90% da população de Nauru, pequena ilha de 21 quilômetros quadrados

Além de Nauru, a ilha de Dominica, no Caribe, também já assumiu a estratégia de vender sua cidadania (Getty Images)

Além de Nauru, a ilha de Dominica, no Caribe, também já assumiu a estratégia de vender sua cidadania (Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 11h54.

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O presidente de Nauru, pequena ilha no Pacífico de apenas 21 km² de área total, anunciou que busca vender a cidadania do país para combater os efeitos das mudanças climáticas.

O objetivo é arrecadar US$ 65 milhões (ou R$ 370 milhões) para mover 10 mil pessoas de suas casas por conta do avanço do nível do mar — e os casos cada vez mais graves de inundações, que ameaçam a saúde e a existência do país.

Segundo o presidente David Adeang, o valor será destinado para a transformação do interior do país, que foi devastado pela exploração de fosfato. Além da perda da vegetação, a área, que representa 80% da ilha, também teve o solo removido, ficando inabitável por décadas.

Ao fim do projeto, uma nova cidade deve ser construída na ilha, além de locais de trabalho e fazendas. A obra permitirá que 90% da população seja realocada na ilha, evitando mais perdas pelas enchentes.

Vendas de passaportes

O valor cobrado por estrangeiros pelo passaporte de Nauru deve ser a partir de US$ 140 mil, ou quase R$ 800 mil. Além do acesso à ilha, a cidadania ainda garante visitas a mais de 50 países sem a necessidade de visto, como Reino Unido, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, Singapura e Hong Kong.

Em entrevista a Bloomberg, o presidente Adeang afirmou que a estratégia parte de não esperar que as ondas levem as casas e a infraestrutura do país. "Enquanto o mundo debate a crise climática, devemos tomar medidas proativas para garantir o futuro de nossa nação", afirmou.

Ilha de Nauru, no Oceano Pacífico (Getty Images)

Durante a COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, o ministro de mudanças climáticas e resiliência nacional de Nauru, Asterio Appi, afirmou que o país tem um papel essencial na proteção da biodiversidade global. “Nossos ecossistemas abrigam espécies raras em maior perigo e ameaças do que em qualquer outro lugar da Terra", conta.

No entanto, estamos na linha de frente das mudanças climáticas, enfrentando o aumento do nível do mar, a intensificação das tempestades e a aceleração da perda de biodiversidade”, afirmou.

Segundo o ministro, o aquecimento global está tornando as ilhas do Pacífico cada vez mais inabitáveis. “Ao escolherem o programa de cidadania de Nauru, os investidores podem garantir o seu próprio futuro além de investir no futuro do nosso planeta”, conta.

Solução climática

A exploração de fosfato começou por volta de 1900 em Nauru, quando o país ainda era uma colônia — da Alemanha, mas após a Primeira Guerra Mundial, teve seu comando dividido entre Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.

Na década de 1970, o país esgotou sua fonte de minérios, o que gerou uma grande perda econômica e mudanças nos hábitos econômicos. Atualmente, o país sobrevive da pesca e de auxílios externos.

Para o presidente, cerca de 9 milhões de dólares australianos (ou R$ 32 milhões) devem ser garantidos em até 12 meses a partir do programa.

Além de Nauru, a ilha de Dominica, no Caribe, também já assumiu a estratégia de vender sua cidadania para reduzir os impactos das mudanças climáticas crescentes.

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