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Um dos parques urbanos mais relevantes da América Latina, o Ibirapuera se torna referência em inovação ambiental (filipefrazao/Thinkstock)
Repórter de ESG
Publicado em 24 de março de 2026 às 11h30.
Última atualização em 24 de março de 2026 às 11h48.
Em um Brasil onde mais de 40% da água tratada se perde antes mesmo de chegar ao consumidor, o que o Ibirapuera pode ensinar às cidades sobre gestão hídrica eficiente? No Dia Mundial da Água, em 22 de março, uma projeção chamou a atenção para a escala do problema: Um Cristo Redentor é desperdiçado a cada seis segundos no Brasil.
Um dos mais relevantes da América Latina, o icônico parque de São Paulo recebe mais de 200 mil visitantes por fim de semana e se tornou um "laboratório de inovação ambiental" que pode servir de modelo para outras cidades brasileiras.
Em parceria com a W-Energy, a Urbia, concessionária responsável pela gestão do espaço público, implementou um sistema de monitoramento inteligente que já reduziu em até 75% o consumo de água em torneiras e 50% em sanitários.
Além da preservação do recurso natural, a iniciativa já gerou uma economia média de 45% nas contas de água e preservou mais de 6 milhões de litros até agora. O volume é relevante em um país que enfrenta perdas estruturais no saneamento básico e poderia atender aproximadamente 40 mil pessoas por dia.
No centro do projeto está o uso de sensores conectados via Internet das Coisas (IoT) e um sistema de inteligência artificial capaz de monitorar o consumo em tempo real. Inspirados em tecnologias de sonar, os dispositivos identificam variações de vazão e possíveis vazamentos nas tubulações, permitindo respostas quase imediatas da equipe de manutenção.
Na prática, isso transforma a gestão hídrica de reativa para preditiva e reduz desperdícios antes que eles se tornem "invisíveis" na operação.
Para a Urbia, concessionária responsável pela gestão do parque, o projeto reforça o papel da tecnologia na agenda ambiental.
“Temos um grande compromisso com o uso consciente dos recursos naturais, e esse é um passo essencial para o futuro do Parque Ibirapuera e de outros espaços públicos no Brasil”, afirma Samuel Lloyd, diretor comercial da empresa.
Já para a W-Energy, responsável pela implementação, os resultados também simbolizam uma mudança de paradigma na gestão de recursos em espaços de grande circulação.
“Cada gota economizada aqui representa um impacto real na gestão de um recurso cada vez mais escasso. O Ibirapuera mostra que é possível unir preservação ambiental e inovação em escala”, diz Wagner Carvalho, CEO da companhia.
Mais do que os ganhos imediatos, o projeto chama atenção pelo potencial de replicação. O Brasil sofre com elevadas perdas no sistema de abastecimento, enquanto já existem uma série de soluções que combinam monitoramento em tempo real, análise de dados e resposta rápida possíveis de serem aplicadas em diferentes contextos: de parques e aeroportos a shoppings, hospitais e grandes empreendimentos urbanos.
Quanto maior a operação, maior o impacto de pequenas ineficiências acumuladas e consequentemente, da pegada de carbono.
Ao tornar visível o que antes passava despercebido como é o caso de vazamentos ou consumo hídrico fora do padrão, a tecnologia economizar água, otimizar processos e reduzir custos. Isso tudo em um planeta que sofre com uma pressão crescente sobre os recursos naturais e infraestrutura.