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Um Cristo Redentor de água é desperdiçado a cada seis segundos no Brasil

Neste Dia Mundial da Água, estudo alerta que desperdício hídrico no Brasil supera capacidade de grandes sistemas e expõe falhas estruturais no saneamento

Campanha da Amanco Wavin chama a atenção para o desperdício da água no ponto icônico do Rio de Janeiro ( Amanco Wavin / Divulgação)

Campanha da Amanco Wavin chama a atenção para o desperdício da água no ponto icônico do Rio de Janeiro ( Amanco Wavin / Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 22 de março de 2026 às 14h00.

No Brasil, o equivalente ao volume de um Cristo Redentor cheio de água potável é perdido a cada seis segundos. O dado de um estudo do Instituto Trata Brasil ajuda a dimensionar um problema estrutural e liga um alerta neste Dia Mundial da Água: o desperdício hídrico supera a capacidade de grandes sistemas de distribuição e expõe falhas estruturais no saneamento.

Por ano, são 5,8 bilhões de metros cúbicos de água desperdiçados. O volume impressiona e representa 6.346 piscinas olímpicas ou a quase seis vezes a capacidade do Sistema Cantareira, principal reservatório que abastece a Região Metropolitana de São Paulo.

Grande parte dessas perdas ocorre antes mesmo de a água chegar às torneiras. Vazamentos, fraudes, ligações clandestinas e falhas operacionais são responsáveis por mais de 3 bilhões de metros cúbicos desperdiçados anualmente.

Esse volume seria suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas, um número superior aos aproximadamente 34 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso regular à água tratada.

O contraste evidencia o gargalo do saneamento no país: enquanto milhões enfrentam escassez, uma parcela significativa do recurso natural se perde no caminho.

Impactos que vão além do desperdício

As perdas de água não representam apenas ineficiência operacional. Elas geram efeitos em cadeia que atingem o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida da população.

Quando há desperdício elevado, aumenta-se a necessidade de captar água em novos mananciais, pressionando rios e reservatórios naturais. Além disso, todo o processo de tratamento que envolve energia, produtos químicos e infraestrutura também é "jogado fora". 

Do ponto de vista econômico, as perdas encarecem o sistema como um todo. Companhias de saneamento precisam investir mais para compensar o volume perdido, custo que pode ser repassado ao consumidor.

Um desafio histórico, apesar de avanços

O Brasil convive há décadas com índices elevados de perdas na distribuição de água. Em média, cerca de 40% da água tratada no país não chega ao destino final, segundo dados recorrentes do setor.

Especialistas apontam que a redução desse índice passa por investimentos em infraestrutura, modernização das redes, combate a fraudes e uso de tecnologias de monitoramento.

Por outro lado, iniciativas mostram que é possível avançar. Em Campinas (SP), por exemplo, sistemas inteligentes de gestão de redes permitiram economizar mais de 370 mil metros cúbicos de água em um ano, demonstrando o potencial de redução quando há investimento e gestão eficiente.

O desafio se mostra ainda mais urgente diante das mudanças climáticas e as crescentes pressões sobre os recursos hídricos. Com eventos extremos cada vez mais frequentes, preservar cada litro de água tratada deixa de ser apenas eficiência e passa a ser uma necessidade.

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