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O país que lidera em energias renováveis também é um dos que segue investindo fortemente em combustíveis fósseis (AFP/AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 17h17.
Mais de 100 usinas termelétricas movidas a carvão devem ser inauguradas em 2026, totalizando 63 GW de nova capacidade em construção. Os dados são do Global Energy Monitor (GEM), que estudou os números dos projetos movidos a carvão projetados para este ano.
De acordo com o levantamento, 55 GW estão apenas no território chinês. O país conta com 85 unidades termelétricas a serem entregues até dezembro, um cenário contraditório quando se observa a presença da China no mercado de energias renováveis.
Em 2024, cerca de 64% da expansão da capacidade renovável, especialmente solar e eólica, foi gerada pela China. Isso se relaciona com a liderança do país na produção de equipamentos para energia solar, como wafers, células e módulos. Cerca de 80% de todas as partes hoje utilizadas nessa modalidade energética são produzidas na China, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
A China segue como uma das principais produtoras de energia no mundo. Do total de 256 GW em projetos energéticos sendo desenvolvidos em 2026, 212 GW estão sob sua gestão.
A preocupação é porque o investimento chinês em carvão cresceu: a pesquisa aponta que a capacidade total de geração de energia a carvão em construção entre 2024 e 2025 foi a maior desde 2016, taxa que caiu no restante dos países.
Em resumo, o país que lidera em energias renováveis também é um dos que segue investindo fortemente em combustíveis fósseis: em 2025, 78% da capacidade de carvão global que começava a operar era da China. Agora, 86% dac sob construção e com finalização nos próximos meses é de origem chinesa.
A analista de clima e energia da GEM, Christine Shearer, afirmou em entrevista ao Financial Times que a tentativa global de reduzir as emissões de carbono a partir do carvão depende muito da produção da China. “Não acho que veremos um grande aumento em outras partes do mundo. Não há muitas construções novas”, disse.
No entanto, isso não é sinônimo de redução na utilização do carvão. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o uso global em fábricas e na geração de eletricidade está perto de atingir um novo recorde, de 8,85 bilhões de toneladas.
O cenário, segundo a thinktank Ember, ainda pode ser positivo: na primeira metade do ano passado, as fontes renováveis geraram mais energia do que o carvão. A demanda por geração de fontes solar e eólica ainda superaram a de eletricidade.