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CEO da COP30, Ana Toni: "O Brasil precisa agora ser conhecido pela implementação" (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 18h30.
Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 11h06.
A menos de 100 dias da COP31, o Brasil corre para provar que o legado de Belém é sobre execução e entrega de soluções concretas.
Foi esse o tom do evento da SP Climate Week nesta quarta-feira, 5, que reuniu lideranças empresariais, representantes do governo e especialistas para acompanhar os avanços da Agenda de Ação da COP30, composta por 120 Planos de Aceleração de Soluções (PAS), organizados em torno de seis eixos e apoiados por mais de 400 iniciativas e coalizões.
"Não somos conhecidos pela implementação", afirmou Ana Toni, ao traçar o que chamou de lição de casa do Brasil rumo à conferência climática na Turquia.
A frase resume um incômodo que costuma atravessar o multilateralismo: depois de anos discutindo metas e compromissos, o desafio da agenda climática deixou de ser as negociações e passou a ser mostrar o que, de fato, saiu do papel nos territórios.
"Precisamos sair do piloto para o pipeline, ter os projetos concretos na ponta", destacou a CEO da COP30.
Para Toni, a mudança mais relevante dos últimos anos está na forma como o Brasil passou a entender o tema dentro do governo e do setor produtivo.
"Não estamos falando mais de clima em um nicho. É uma agenda de desenvolvimento econômico e social", afirmou.
A CEO cita como prova dessa virada instrumentos como o Eco Invest, o Fundo Clima e as regulamentações do mercado de carbono, além dos bonds vinculados à sustentabilidade. Mas fez questão de qualificar o avanço: "Temos uma vantagem comparativa natural, mas ela não é destino. Precisamos torná-la competitiva", complementou.
Em sua fala, Ana Toni traçou a lição de casa do Brasil para a COP31 em Antália.
O primeiro é a continuidade: para ela, é preciso blindar a agenda climática do ano eleitoral.
"Assegurar que essa agenda não seja de um governo, e sim que precisamos dar continuidade ao que foi construído até aqui", destacou.
O segundo é a conexão público-privada, mantendo o diálogo que sustenta o avanço das políticas públicas junto com as empresas e soluções nos territórios.
O terceiro é a escala, resumida na frase sobre sair do piloto para o pipeline. E o quarto é o pragmatismo: transformar os temas já pautados em soluções "de cabo a rabo", sem deixar o clima virar modismo.
No plano internacional, Toni citou o debate sobre os recursos do Roadmap Baku de 1.3 trilhões, a meta de financiamento climático global, que a Austrália já sinalizou que vai manter como prioridade na presidência da COP31.
Por último, defendeu que o Brasil chegue à Turquia com casos concretos de implementação. "Somos bastante conhecidos pela diplomacia, mas o que vai nos dar destaque é mostrar os frutos da nossa jornada, que começamos antes de Belém e aceleramos durante a presidência da COP30", explicou.
Ricardo Mussa, chair da SB COP30 (Sustainable Business COP30), falou à EXAME sobre a estratégia atual de execução da Agenda de Ação da COP30 e a estrutura que deve orientar o que sai do papel entre Belém e Antália.
A SB COP30, iniciativa do setor produtivo liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), é a ponte que o setor empresarial global construiu para se conectar a essa agenda. Segundo Mussa, o trabalho de engajar países por meio de câmaras de indústria e comércio terminou 2025 com 82 associações empresariais representando 68 países — e reunindo, ao todo, 45 milhões de empresas.
"Hoje temos uma governança que representa boa parte do setor privado mundial", destacou. Embora não seja do Brasil, o país concentra peso relevante na sua atuação com cerca de 1 milhão de empresas do total.
No ano passado, a estrutura funcionou em torno de três entregas que devem se repetir na COP31, contou Mussa.
São elas: recomendações de grupos de trabalho formados por CEOs para os negociadores da conferência, em temas como sistemas alimentares e transição energética; uma lista de projetos de aceleração dentro da ONU, que a SB COP30 ajuda a executar ou liderar; e o SBCOP Awards, prêmio que reúne casos de sucesso na redução de emissões.
O prêmio tem um filtro que Mussa destacou como central: os projetos precisam ter retorno econômico comprovado, estar implementados há pelo menos um ano e ser escaláveis.
Em 2025, a SB COP30 recebeu mais de 1.400 casos nesses moldes. A meta para 2026 é alcançar 100 países, incluindo economias menores, e entregar as recomendações também na semana do clima de Nova York, em setembro.
No terceiro dia da SP Climate Week, autoridades e lideranças empresariais foram unânimes: o Brasil já tem os instrumentos: governança, mecanismos financeiros e a estrutura para acelerar a agenda de ação.
O que falta, resumiu Toni, é escala e garantia de continuidade para transformar tudo isso em resultado antes que a COP31 comece, em novembro, em Antália.