As terras indígenas estão entre as áreas mais preservadas do Brasil, mas também carregam marcas do avanço de pastagens, da agricultura e da mineração.
Só na Amazônia, 1,79 milhão de hectares dentro desses territórios têm potencial de restauração.
É o que revela um novo estudo divulgado pela The Nature Conservancy: 952,3 mil hectares do total são classificados como áreas degradadas, ocupadas predominantemente por pastagens, enquanto outros 24,4 mil hectares são destinados à agricultura e 18,9 mil hectares, à mineração.
Há ainda 840,5 mil hectares de vegetação secundária, aquelas áreas que já passaram por algum tipo de intervenção e estão em processo de regeneração.
No entanto, o desafio não se resume a identificar onde falta vegetação. Em terras indígenas, decidir o que restaurar, onde e de que maneira envolve questões que vão da disponibilidade de água e conservação da biodiversidade à geração de renda e manutenção dos modos de vida das comunidades.
É a partir dessa lógica que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em parceria com a TNC, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT, desenvolveu um sistema para reunir informações e ajudar a definir quais territórios e áreas devem ser priorizados em projetos de conservação e restauração.
Em vez de considerar apenas o grau de degradação, a ferramenta cruza dados sobre governança territorial, biodiversidade, água, mudanças climáticas, sustentabilidade, educação, saúde e modos de vida indígenas. O sistema está, por enquanto, disponível para uso interno.
Restaurar não é só plantar árvores
A ideia por trás da iniciativa parte de um esclarecimento importante: recuperar uma área dentro de uma terra indígena não significa necessariamente devolver a paisagem a uma determinada configuração de floresta.
A restauração pode envolver a recuperação de nascentes e cursos d'água, sistemas agroflorestais, produção de alimentos, coleta de sementes e mudas e outras atividades capazes de conciliar vegetação nativa com o uso do território pelas comunidades.
Por isso, uma área bastante degradada não necessariamente será a primeira da fila. A metodologia considera também o impacto que a recuperação pode ter sobre segurança hídrica, biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas e condições de vida da população local.
A governança é outro componente: entre os indicadores analisados está, por exemplo, a existência de Instrumentos de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (IGATI), usados para organizar o planejamento e o manejo dos territórios.
Segundo os idealizadores, os critérios foram definidos com a participação de lideranças indígenas, inclusive na escolha dos indicadores e das fontes de informação. Ao todo, nove grandes categorias são utilizadas para cruzar os dados e apoiar a definição das prioridades.
A intenção é evitar uma abordagem em que as comunidades apareçam apenas como beneficiárias de projetos definidos externamente. Na prática, o modelo busca incorporá-las desde a escolha das áreas até etapas como produção de sementes e mudas, implementação e acompanhamento da recuperação.
Pressão existe mesmo em áreas preservadas
As terras indígenas continuam sendo algumas das principais barreiras à perda de vegetação nativa no país.
Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, esses territórios responderam por apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025.
Mas os especialistas ressaltam que isso não significa "ausência de pressão". O avanço do uso do solo alcança as bordas e, em determinados casos, o interior dos territórios.
Áreas atingidas por ilícitos ambientais também podem estar submetidas a embargos e obrigações de reparação, fatores que interferem na definição e no financiamento dos projetos de recuperação.
O levantamento ressalta que a restauração deve ser acompanhada por ações de prevenção e pelo fortalecimento da gestão territorial, de forma a reduzir as pressões que continuam incidindo sobre as terras indígenas.
Outra necessidade apontada é conectar as áreas identificadas como prioritárias a fontes de financiamento e instrumentos capazes de viabilizar os projetos.
Além dos recursos, a recuperação demanda formação técnica e estrutura para que as próprias comunidades possam definir prioridades, produzir e coletar sementes e mudas e acompanhar a evolução das áreas restauradas.
Meta brasileira aumenta a escala do desafio
A discussão ganha peso diante das metas assumidas pelo Brasil. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) estabelece a recuperação de 12 milhões de hectares até 2030.
Mais recentemente, durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país se comprometeu a restaurar mais de 16,3 milhões de hectares de terras degradadas até o fim da década.
O compromisso engloba diferentes frentes, como recuperação de vegetação nativa, sistemas agroflorestais, unidades de conservação, áreas de preservação permanente, bacias hidrográficas e territórios indígenas.
Na Amazônia, os 1,79 milhão de hectares identificados em terras indígenas mostram que há espaço relevante para avançar. Agora, o próximo passo é definir onde a restauração é mais urgente e, principalmente, qual tipo de recuperação faz sentido para cada território.
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - agro - boi - gado -fazenda - boiada - agronegocio - pecuaria -
Foto: Leandro Fonseca
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Amazonia
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Amazonia
(Amazonia)
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - canoa
Foto: Leandro Fonseca
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - canoa
Foto: Leandro Fonseca
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - barco navegando rio amazonas
Foto: Leandro Fonseca
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Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Embarcação no Rio Amazonas
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Barco da marinha do Brasil - Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
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Comunidade ribeirinha no Rio Amazonas, entre Manaus e Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - canoa
Foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhos aguardam a passagem dos barcos na volta de Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Embarcação no Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Barco no Rio Amazonas
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Ribeirinhos aguardam a passagem dos barcos na volta de Parintins (Leandro Fonseca/EXAME)
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - canoa
Foto: Leandro Fonseca
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Embarcação - caminhões tanque de combustivel - Rio Amazonas - Amazonia - ribeirinhas -
Foto: Leandro Fonseca
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Rio Amazonas -Amazonia - ribeirinhas - canoa
Foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhos no rio Amazonas
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Trecho de floresta no Pará
(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Notiê Amazonia -3 Crédito Wesley Diego Emes)
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Casas ribeirinhas da Amazonia - AM
foto: Leandro Fonseca
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(Casas ribeirinhas da Amazonia - AM foto: Leandro Fonsecadata: 04/2022)
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Casas ribeirinhas da Amazonia - AM
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - ribeirinha
foto: Leandro Fonseca
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Airão Velho - Ruinas de Airão Velho - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Ribeirinhas do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza - futebol
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - futebol - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Futebol - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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As árvores da Amazônia estão cada vez maiores, mas vivem em um equilíbrio delicado
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Rio Negro, na Amazônia
(Amazônia)
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Comunidade Ribeirinha Cachoeira do Parque Nacional do Jau - ICMBIO - Rio Jaú - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
foto: Leandro Fonseca
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Turistas na Expedição Katerre - Turismo - Amazonia - AM - Rio Negro - Selva - Expedição Katerre - Natureza -
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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data: outubro 2022
(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia - barcos - ribeirinhos - ribeirinhas - casas
Foto: Leandro Fonseca
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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Abaetuba no Pará - Amazonia -
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)
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(Abaetuba no Pará - Amazonia -Foto: Leandro Fonsecadata: outubro 2022)