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Gigante dos mares já vendeu 10 iates de R$ 45 mi no Brasil em apenas 18 meses

Grande 25 Metri foi apresentado ao mercado em abril de 2025 e é produzido exclusivamente em Itajaí, na única unidade fabril da Azimut fora da Itália

Grande 25 Metri,  produzido na fábrica da Azimut, em Itajaí. custa a partir de R$ 45 milhões, mas preço pode variar conforme os opcionais escolhidos pelo cliente (Divulgação/Divulgação)

Grande 25 Metri, produzido na fábrica da Azimut, em Itajaí. custa a partir de R$ 45 milhões, mas preço pode variar conforme os opcionais escolhidos pelo cliente (Divulgação/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 5 de setembro de 2026 às 15h51.

Última atualização em 5 de setembro de 2026 às 16h09.

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Um dos iates mais sofisticados produzidos no país, o Grande 25 Metri, já soma dez unidades comercializadas desde o lançamento, em abril de 2025. A EXAME apurou, com exclusividade, que todas foram vendidas para clientes brasileiros.

Com preço a partir de R$ 45 milhões, a embarcação pode superar esse valor conforme equipamentos, acabamentos e personalizações escolhidos pelo proprietário. Considerando apenas o preço inicial, as vendas representam uma escala comercial de pelo menos R$ 450 milhões.

O Grande 25 Metri é fabricado exclusivamente em Itajaí, Santa Catarina, onde está localizada a única unidade fabril da Azimut fora da Itália. A companhia é líder mundial na fabricação de iates de luxo há 26 anos consecutivos.

Os compradores estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Das dez unidades comercializadas, quatro já foram entregues, e a quinta tem previsão de chegar ao proprietário até o fim de 2026. O modelo feito em Itajaí tamém é destinado à exportação.

O Grande 25 Metri tem 25,62 metros de comprimento, quatro suítes e estrutura com uso intensivo de fibra de carbono. O projeto foi desenvolvido em conjunto pelas equipes brasileira e italiana da companhia.

Entre as soluções do modelo está um terraço lateral retrátil, que amplia a área externa e cria uma varanda suspensa sobre o mar. O flybridge pode receber jacuzzi, bar e espaço gourmet. Equipado com dois motores MAN V12 de 1.800 HP, o iate alcança até 29 nós de velocidade máxima.

Aposta em barcos maiores

O volume de vendas reforça uma mudança no perfil do consumidor brasileiro que já vinha sendo observada pela direção mundial da empresa. Em entrevista à EXAME em 23 de março de 2026, durante visita a Itajaí, a presidente global do Grupo Azimut|Benetti, Giovanna Vitelli, afirmou que os clientes brasileiros estavam migrando para embarcações maiores e mais sofisticadas. Parte deles, segundo a executiva, começou com modelos menores da própria marca e passou a subir de categoria.

Na mesma ocasião, Giovanna Vitelli definiu aquele momento como um “novo capítulo” da operação brasileira. A companhia anunciou R$ 120 milhões em investimentos, a ampliação da fábrica catarinense e mudanças no comando da subsidiária.

Foram anunciados Carlo Alberto Sisto como CEO da Azimut Brasil e Roy Capasso como diretor comercial da Azimut Yachts Brasil, numa reorganização voltada a aproximar ainda mais a unidade catarinense da estrutura mundial do grupo.

O plano prevê acrescentar 27 mil metros quadrados à fábrica de Itajaí, elevando a área de 38 mil para 65 mil metros quadrados. A empresa também projeta cerca de 200 novos postos de trabalho, com possibilidade de chegar a aproximadamente 800 funcionários até 2028.

Outro movimento dessa estratégia é a produção do Grande 30 Metri em Santa Catarina. O superiate será o primeiro modelo desse porte fabricado integralmente pela companhia fora da Europa, ampliando a participação da operação brasileira justamente no segmento de embarcações de maior valor agregado.

A fábrica de Itajaí ocupa uma posição singular dentro do grupo. É a única unidade industrial própria da Azimut fora da Itália e está instalada no Brasil desde 2010. Atualmente, produz modelos entre 51 e 100 pés para o mercado nacional e outros países das Américas.

O avanço para embarcações maiores ocorre também num momento em que o Brasil ganha peso na estratégia global da fabricante. Segundo a companhia, o país já aparece como seu terceiro principal mercado, atrás apenas da Europa e dos Estados Unidos.

No ano náutico 2024/2025, encerrado em agosto de 2025, a operação brasileira registrou receita bruta de R$ 700 milhões.

O exercício seguinte, 2025/2026, terminou em 30 de agosto de 2026, mas o balanço financeiro do período deve ser divulgado até outubro. Com isso, ainda não é possível medir quanto o avanço das embarcações de maior porte representou no faturamento mais recente da subsidiária brasileira.

No mercado internacional, o Grupo Azimut|Benetti encerrou 2024/2025 com receita de € 1,5 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões), crescimento de 14% em relação à temporada anterior. A carteira de pedidos alcançou € 2,6 bilhões (aproximadamente R$ 16,1 bilhões), com entregas programadas até 2029.

A companhia também confirmou, pelo 26º ano consecutivo, a liderança mundial na fabricação de iates de luxo, segundo o Global Order Book, ranking elaborado pela publicação britânica Boat International. O grupo concentra 23% da produção mundial e soma 5.924 metros lineares de iates em construção, distribuídos em 163 projetos.

Enquanto o novo balanço não é divulgado, um número já mostra a dimensão da aposta feita em Itajaí: as dez primeiras unidades do Grande 25 Metri vendidas pela Azimut ficaram no mercado brasileiro.

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