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A guerra no Irã e a nova ordem energética mundial

Alta no preço de combustíveis indica impacto do conflito no setor

Estreito de Hormuz: bloqueio pressiona petróleo, gás e fertilizantes. (Stock/Getty Images)

Estreito de Hormuz: bloqueio pressiona petróleo, gás e fertilizantes. (Stock/Getty Images)

Historicamente, a instabilidade no Oriente Médio dita o ritmo do mercado energético global, mas o conflito atual no Irã e o bloqueio do Estreito de Hormuz elevaram essa crise a um patamar sem precedentes. Por este canal estratégico transitam 20% do petróleo e 20% do gás natural comercializados no mundo, o que torna o seu fechamento um estrangulamento logístico capaz de impactar as nações de formas distintas, porém profundas. O impacto universal e imediato dessa interrupção é a alta acentuada dos combustíveis, que por sua vez gera uma onda inflacionária global.

Como o aumento do custo de energia eleva o preço de quase todos os bens e serviços, o poder de compra é corroído, gerando tensões políticas que devem forçar os governantes a transformarem a pauta da eletrificação em uma estratégia de soberania nacional, em lugar da antiga motivação mais orientada à sustentabilidade.

Nesse cenário de choque sistêmico, o Brasil enfrenta variáveis que merecem atenção, pois, além do frete encarecido pelo diesel, o país fica vulnerável ao risco de desabastecimento de fertilizantes, dado que 30% da comercialização global de ureia passa por Ormuz. Essa dependência de importações ameaça a produtividade e os custos do agronegócio brasileiro.

Por outro lado, o balanço econômico final para o Brasil pode ser equilibrado pelas exportações de óleo, cujas receitas crescentes devem contribuir para mitigar os impactos negativos. Essa valorização do barril também pode beneficiar vizinhos como a Guiana, considerada um destino seguro para novos investimentos.

O mercado financeiro demonstra uma busca por independência energética; em 2025, o investimento global em energia renovável atingiu a marca de US$ 2,2 trilhões, o dobro do valor destinado aos combustíveis fósseis. O capital está migrando das petroleiras para mineradoras de metais críticos e fábricas de baterias, seguindo o exemplo da China, que investe massivamente em fontes domésticas para reduzir sua dependência externa. A lógica governamental e do consumidor final converge para o mesmo ponto: gerar eletricidade localmente e eletrificar a frota funcionam como uma blindagem contra choques geopolíticos e contra a volatilidade dos preços dos combustíveis.

O panorama a curto prazo é complexo e já provoca retorno ao uso do carvão em países com reservas próprias, por medo do desabastecimento. Espera-se que seja uma medida de contingência, adotada enquanto os preços do gás natural liquefeito forem proibitivos. Existe uma distinção fundamental entre esse uso emergencial do carvão e os investimentos estruturais em eletrificação, que são definitivos e garantem maior eficiência energética.

No fim, o saldo para o clima deverá permanecer positivo, pois a guerra não freou a transição, apenas mudou seu motor propulsor. A segurança energética do futuro, então, não será mais medida pela proteção militar de navios petroleiros, mas sim pela resiliência e inteligência das redes elétricas nacionais.

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