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Por que a fabricante do Ozempic decidiu demitir seu CEO

Lars Fruergaard Jørgensen esteve à frente da companhia desde 2017 e trabalha na farmacêutica desde 1991

Jørgensen permanecerá no cargo temporariamente para garantir uma transição suave até a nomeação de um novo CEO (Divulgação Novo Nordisk)

Jørgensen permanecerá no cargo temporariamente para garantir uma transição suave até a nomeação de um novo CEO (Divulgação Novo Nordisk)

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Publicado em 21 de maio de 2025 às 13h31.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, conhecida mundialmente pelos medicamentos Ozempic e Wegovy, anunciou na última semana a saída de seu CEO, Lars Fruergaard Jørgensen, em meio a um cenário de forte pressão no mercado, com uma queda considerável no valor de suas ações. 

A decisão ocorreu após um recuo de 53% nos papéis da empresa nos últimos 12 meses, o que resultou em uma perda superior a US$ 300 bilhões em valor de mercado. O anúncio também representa um movimento estratégico da controladora da farmacêutica, a Fundação Novo Nordisk, que vem pressionando por mudanças na liderança.

Jørgensen, que esteve à frente da companhia desde 2017 e trabalha na empresa desde 1991, permanecerá no cargo temporariamente para garantir uma transição suave até a nomeação de um novo CEO. Durante sua gestão, a Novo Nordisk teve um crescimento expressivo, com a valorização de seus papéis triplicando, impulsionada principalmente pelo sucesso dos medicamentos voltados ao combate à obesidade e ao diabetes. Os últimos meses foram, porém, marcados por desafios significativos.

Testes clínicos

Entre os fatores que contribuíram para a saída do executivo estão resultados decepcionantes em testes clínicos, como os do medicamento CagriSema – apontado como uma possível nova geração no tratamento da obesidade – que provocaram forte instabilidade no mercado. Em dezembro, a divulgação de dados clínicos abaixo do esperado levou a uma queda de 21% no valor das ações em um único dia.

A concorrência crescente também pressionou a companhia. A estadunidense Eli Lilly, principal rival da Novo Nordisk no setor, tem conquistado maior participação no mercado com seus medicamentos Mounjaro e Zepbound. Um estudo recente divulgado pela Eli Lilly apontou que o Mounjaro apresentou resultados superiores ao Wegovy tanto na redução de peso quanto na diminuição da circunferência abdominal. 

Embora a Novo Nordisk tenha contestado a metodologia do estudo, o impacto no mercado foi imediato. As ações da farmacêutica dinamarquesa caíram mais 4,4% logo após o anúncio da saída do CEO, enquanto os papéis da concorrente subiram 1,4% no pré-mercado em Nova York.

Além dos desafios operacionais, a saída de Jørgensen reflete um reposicionamento estratégico da Fundação Novo Nordisk, principal acionista da empresa por meio da Novo Holdings. A fundação tem sinalizado a intenção de se aproximar da gestão executiva e aumentar sua influência no conselho da companhia. Como parte desse movimento, Lars Rebien Sørensen – que comandou a farmacêutica por 16 anos e atualmente preside a fundação – passará a acompanhar de perto as decisões do conselho, com perspectiva de se tornar membro efetivo em 2026.

Apesar da mudança na liderança, a Novo Nordisk comunicou que sua estratégia de negócios permanece inalterada e que o conselho mantém confiança na capacidade da equipe atual para seguir com os planos em andamento. O nome do novo CEO ainda não foi divulgado.

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