Balança comercial tem superávit recorde para o mês de abril puxado por petróleo e soja (Freepik)
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Publicado em 16 de maio de 2026 às 07h02.
Em abril deste ano, o Brasil registrou o maior superávit para o mês desde o início da série histórica, em 1989. Ao todo, as exportações superaram as importações em US$ 10,537 bilhões, consolidando um início de ano (janeiro-abril) 43% superior ao mesmo período de 2025.
De acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o crescimento foi impulsionado pela alta nas exportações de soja e petróleo. Segundo o economista Leonardo Ferreira, sócio da Capibaribe Consultoria, o sucesso na venda do grão decorre de uma safra robusta aliada a preços ainda favoráveis no mercado internacional.
“O petróleo e o minério de ferro foram os grandes destaques. É um setor que vem ganhando musculatura no comércio exterior brasileiro e merece atenção, dado o início das operações na Margem Equatorial e a descoberta de novas áreas do Pré-sal”, disse ele.
André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, explica que o aumento na procura pelo petróleo brasileiro se deve à instabilidade política causada pelos conflitos no Irã. Para ele, o mercado global demandará fontes de energia de regiões mais estáveis, posição para a qual o Brasil se credencia.
“Os próximos meses devem continuar atuando com superávit e com cenários positivos. Talvez o superávit seja reduzido eventualmente com a normalização nos conflitos no Oriente Médio”, projetou.
Riscos do novo desenho da balança
Ambos os especialistas apontaram um risco comum: a baixa diversificação da pauta exportadora. Segundo eles, o que sustenta a balança brasileira são as commodities, como petróleo e minérios. No entanto, esses produtos têm seus preços definidos pelo mercado externo.
“Se os preços internacionais das commodities caírem, o saldo também cairá, por exemplo. Outro fator de risco é a dependência crescente da China — ter um único grande comprador aumenta nossa vulnerabilidade a mudanças na política econômica ou na demanda chinesa”, explicou Leonardo.
Além disso, apesar do saldo recorde, os dados revelam uma diminuição nas exportações para os EUA e para a Argentina. Juntos, esses mercados apresentam uma retração relevante, refletindo instabilidades regionais e geopolíticas.
“Não há com o que se preocupar, esses cenários são 'vulnerabilidades a monitorar', não 'crises iminentes'. O saldo positivo é real e robusto — o que existe é necessidade de diversificação no médio prazo”, tranquilizou Leonardo.
Projeções para 2026
Com o crescimento robusto, a tendência projetada pelo MDIC é que, ao fim do ano, o superávit feche entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, superando os US$ 68 bilhões registrados em 2025.
“Se as condições climáticas da segunda safra forem favoráveis e a demanda chinesa se mantiver, 2026 tem boas chances de ser o melhor ano comercial da história do Brasil”, destacou Leonardo.
Para André Perfeito, a manutenção desse superávit permitirá que, em alguns anos, o governo reduza a necessidade de incentivos agressivos ao mercado interno, utilizando essa força para consolidar a posição do País no cenário exterior.
“Um país que vende cada vez mais petróleo, minério e grãos tem superávit; um país que também vende tecnologia, serviços e manufaturados de alto valor tem futuro. Os dois não são excludentes, mas precisamos trabalhar os dois lados dessa equação”, concluiu Leonardo.