PIB: aceleração não deve se manter até o fim do ano (Priscila Zambotto/Getty Images)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 28 de maio de 2026 às 18h32.
Última atualização em 29 de maio de 2026 às 09h33.
As projeções do mercado apontam crescimento entre 0,8% e 1,2% na comparação com o trimestre anterior, com ajuste sazonal, após a perda de ritmo observada no fim de 2025.
As estimativas refletem uma combinação de fatores que sustentaram a atividade no início do ano, como o avanço do agronegócio, o aumento da produção de petróleo, estímulos fiscais voltados ao consumo e um mercado de trabalho ainda resiliente.
Ao mesmo tempo, economistas avaliam que parte desse desempenho tende a perder força ao longo dos próximos meses, diante do crédito mais restrito e dos juros elevados.
Um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) estima crescimento de 1,1% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores e alta de 1,8% na comparação anual. Segundo o banco, o resultado deve confirmar uma aceleração da atividade econômica após a estagnação registrada no segundo semestre de 2025.
Já o Itaú BBA trabalha com uma projeção mais forte, de alta de 1,2% na margem e avanço de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Para os economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, que assinaram o relatório, os serviços seguem resilientes, enquanto a indústria mostra recuperação puxada pela transformação industrial e pela produção de petróleo e minério de ferro.
Na avaliação do Itaú BBA, o consumo das famílias deve voltar a ganhar tração no início de 2026, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pelos estímulos recentes do governo.O banco também destaca que medidas fiscais e de crédito anunciadas nas últimas semanas aumentaram o viés de alta para a projeção de crescimento do PIB neste ano, atualmente em 1,9%.
A consultoria 4intelligence estima crescimento de 1% do PIB na comparação trimestral e alta de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Segundo a casa, a retomada do crescimento no início do ano foi influenciada principalmente pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, pela liberação extraordinária de recursos do FGTS e pelo avanço da agropecuária.
A consultoria também projeta recuperação da indústria após o desempenho fraco no fim do ano passado, com destaque para a indústria extrativa, impulsionada por novos recordes na produção de petróleo e gás natural. Nos serviços, o avanço deve continuar disseminado, apoiado pelo consumo das famílias e pela resiliência do mercado de trabalho.
O Banco Inter projeta crescimento de 0,8% no trimestre e 1,6% na comparação anual. Para Rafaela Vitória, economista-chefe da instituição, o desempenho do início do ano deve ser puxado principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa, em linha com o cenário visto no segundo semestre de 2025.
Segundo a economista, o segundo trimestre ainda pode mostrar algum reaquecimento da demanda em função dos estímulos fiscais, mas o ambiente de crédito mais restritivo deve limitar uma expansão mais forte do consumo das famílias ao longo do ano.
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o crescimento do primeiro trimestre deve marcar uma interrupção na trajetória de desaceleração observada no fim de 2025. A projeção do banco é de alta de 0,8% na passagem trimestral.
Segundo Ricciardi, o principal motor da atividade no período foi o consumo das famílias, favorecido pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e pela valorização real do salário mínimo. As exportações de soja e petróleo também devem contribuir positivamente para o desempenho do PIB no trimestre.
Por outro lado, o economista afirma que os investimentos seguem pressionados pelo nível elevado da taxa de juros. A expectativa é de desempenho negativo da Formação Bruta de Capital Fixo na comparação anual, refletindo um ambiente ainda mais desafiador para expansão da atividade produtiva.
Apesar da aceleração no início do ano, a maioria das instituições financeiras ainda trabalha com um cenário de desaceleração gradual da economia ao longo de 2026.
A avaliação predominante é de que os estímulos fiscais e programas de incentivo ao crédito devem ajudar a sustentar parte da atividade, mas sem força suficiente para manter o mesmo ritmo observado no primeiro trimestre, ainda mais com a taxa de juros ainda em patamar restritivo.