Economia

PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre de 2026, puxado por agro e consumo

O resultado ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta entre 0,8% e 1,2%

PIB do Brasil: o resultado totalizou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre de 2026 (Getty Images/Getty Images)

PIB do Brasil: o resultado totalizou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre de 2026 (Getty Images/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 29 de maio de 2026 às 09h01.

Última atualização em 29 de maio de 2026 às 09h33.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta entre 0,8% e 1,2%.

O PIB totalizou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre de 2026, sendo R$ 2,8 trilhões referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 461,2 bilhões, aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

Na comparação com o 1º trimestre de 2025, o ritmo da economia avançou 1,8%, enquanto no acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB registrou elevação de 2,0%.

Por que o PIB do Brasil cresceu?

Segundo o IBGE, os três setores pela ótica da produção tiveram resultado positivo. Agropecuária cresceu 2,0%, a Indústria, 1%, e Serviços, 0,5%.

Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, o avanço do PIB no trimestre refletiu uma combinação entre o forte desempenho da agropecuária e da indústria extrativa e um crescimento mais moderado do setor de serviços.

“O crescimento do PIB, na série com ajuste sazonal, ficou próximo ao da Indústria, com os Serviços puxando o crescimento médio para baixo e a Agropecuária para cima. Não se pode somar resultados com ajuste sazonal, mas, em linhas gerais, foi esse o perfil do crescimento por grupo de atividades no trimestre”, disse o coordenador de Contas Nacionais do IBGE.

Nos serviços, setor que concentra aproximadamente 70% da atividade econômica do país, o desempenho foi majoritariamente positivo na comparação com o quarto trimestre de 2024.

Os maiores avanços ocorreram em Informação e comunicação (2,4%), Atividades imobiliárias (1,2%) e Outras atividades de serviços (0,8%).

Também cresceram Comércio (0,6%) e Administração pública, saúde, educação e seguridade social (0,4%). Em contrapartida, houve retração em Transporte, armazenagem e correio (-0,7%) e em Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (-0,6%).

Pela ótica da demanda, o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre foi sustentado principalmente pelo avanço do consumo das famílias e dos investimentos.

A Despesa de Consumo das Famílias cresceu 1,0% na comparação com o trimestre anterior, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, avançou 3,5%. Já a Despesa de Consumo do Governo teve alta mais moderada, de 0,4%.

No setor externo, o resultado foi menos favorável para a atividade econômica. As exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, enquanto as importações avançaram 4,4% em relação ao quarto trimestre de 2025. O movimento indica uma demanda doméstica mais aquecida, com empresas e consumidores ampliando compras de produtos e insumos do exterior.

Segundo o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, o consumo das famílias voltou a ganhar força após encerrar 2025 praticamente estável.

Por ser o componente de maior peso na estrutura do PIB, o consumo das famílias foi o principal responsável pelo crescimento da economia entre janeiro e março.

Os investimentos também tiveram papel relevante no resultado do período. Depois de uma queda de 3,4% no trimestre anterior, a FBCF avançou 3,5%, recuperando o nível observado no fim do terceiro trimestre de 2025.

Mesmo representando uma parcela menor da demanda total, a retomada dos investimentos contribuiu de forma significativa para a expansão da atividade econômica no início de 2026.

Já o consumo do governo manteve trajetória positiva, mas em ritmo inferior ao observado nos dois trimestres anteriores, o que resultou em uma contribuição mais limitada para o crescimento do PIB no período.

O que é o PIB?

PIB (sigla para Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas moedas.

O que gera o PIB do Brasil?

Segundo o IBGE, o PIB mede apenas os bens e serviços finais para evitar dupla contagem. Se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, por exemplo, seu PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos sobre os produtos comercializados.

Na realidade, o PIB é um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um período. Se um país não produzir nada em um ano, o seu PIB será nulo.

Qual é a fórmula do PIB?

Para o cálculo do PIB, são utilizados diversos dados; alguns produzidos pelo IBGE, outros provenientes de fontes externas. Essas são algumas das peças que compõem o quebra-cabeça do PIB:

  • Balanço de Pagamentos (Banco Central)
  • Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ (Secretaria da Receita Federal)
  • Índice de Preços ao Produtor Amplo - IPA (FGV)
  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA (IBGE)
  • Produção Agrícola Municipal - PAM - (IBGE)
  • Pesquisa Anual de Comércio - PAC (IBGE)
  • Pesquisa Anual de Serviços - PAS (IBGE)
  • Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF (IBGE)
  • Pesquisa Industrial Anual - Empresa - PIA-Empresa (IBGE)
  • Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física - PIM-PF (IBGE)
  • Pesquisa Mensal de Comércio - PMC (IBGE)
  • Pesquisa Mensal de Serviços - PMS (IBGE)
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