Economia

PCE: inflação fica em 3,7% nos 12 meses até julho e supera expectativas nos EUA

Indicador de inflação preferido do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, permanece acima da meta de 2%

Renda americana: ganhos das famílias crescem 0,4% em julho nos Estados Unidos. (Leandro Fonseca/Exame)

Renda americana: ganhos das famílias crescem 0,4% em julho nos Estados Unidos. (Leandro Fonseca/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 10h33.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 10h37.

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A inflação medida pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) avançou 3,7% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 26, pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), órgão ligado ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

A alta veio levemente acima da expectativa dos analistas, de 3,6%, e repetiu o ritmo registrado em junho (3,7% no ano a ano).

O PCE é o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA. O índice continua distante da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária.

Na comparação mensal, o PCE cheio subiu 0,2% em julho, também acima do consenso de 0,1%. O resultado interrompeu a queda de 0,1% registrada em junho.

O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% em julho, em linha com as expectativas. Em 12 meses, o indicador subiu 3,3%.

Renda dos americanos cresce 0,4% em julho

Além dos dados de inflação, o relatório do BEA mostrou que a renda pessoal dos americanos aumentou 0,4% em julho, ou US$ 115,1 bilhões, mantendo a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.

A alta foi sustentada, principalmente, pelo aumento da remuneração dos trabalhadores, dos benefícios sociais pagos pelo governo e dos rendimentos obtidos com aplicações financeiras.

Na composição da remuneração, os salários do setor privado foram o principal destaque. Os cálculos incorporam dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) sobre emprego, horas trabalhadas e rendimentos.

Entre os benefícios sociais, os programas "Medicaid" e "Medicare" foram os que mais contribuíram para o avanço, de acordo com informações do Tesouro americano e do orçamento federal. Já nos rendimentos de ativos, a alta foi impulsionada pelos dividendos recebidos pelas famílias.

A renda pessoal disponível, que desconta os impostos correntes, cresceu US$ 125,9 bilhões em julho ou 0,5%. O ritmo foi superior ao da renda bruta e acelerou em relação a junho, quando o indicador havia avançado 0,2%.

Consumo desacelera e migra para serviços

Os gastos pessoais com consumo aumentaram US$ 36,3 bilhões em julho, alta de 0,2%, ante avanço de 0,3% em junho. Houve uma mudança na composição dos gastos. O consumo de serviços aumentou US$ 86,2 bilhões no mês, enquanto os gastos com bens recuaram US$ 49,9 bilhões.

Entre os serviços, os maiores avanços vieram de serviços financeiros e seguros, com aumento de US$ 24,3 bilhões. Na sequência apareceram os gastos com saúde, que cresceram US$ 23,2 bilhões, e moradia e serviços públicos, com alta de US$ 16,4 bilhões.

A principal contribuição negativa veio de gasolina e outros produtos de energia, com queda de US$ 14 bilhões. Também recuaram os gastos com veículos recreativos, em US$ 13,6 bilhões, e com veículos automotores e peças, em US$ 9,4 bilhões.

Quando descontado o efeito da inflação, o consumo pessoal praticamente ficou estável em julho. O avanço real foi de apenas US$ 1,3 bilhão, menos de 0,1%, contra alta de 0,4% em junho.

Poupança fica em 3% da renda disponível

Os gastos totais das famílias, que incluem consumo, pagamento de juros e transferências correntes, aumentaram US$ 36,6 bilhões em julho. A poupança pessoal somou US$ 712 bilhões no mês. A taxa de poupança ficou em 3% da renda pessoal disponível.

A próxima divulgação de renda e gastos pessoais está prevista para 30 de setembro. Na mesma data, o BEA iniciará, pela primeira vez, a atualização anual dos dados nacionais, industriais e regionais, incluindo estatísticas do Produto Interno Bruto (PIB) e renda pessoal por estado e condado.

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