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Inflação nos EUA fecha 2022 em 6,5% e confirma desaceleração

Principal índice inflacionário americano, o CPI caiu 0,1% em dezembro e fez inflação anual fechar em 6,5%

EUA: inflação fechou ano em 6,5%, em linha com as expectativas (fotog/Getty Images)

EUA: inflação fechou ano em 6,5%, em linha com as expectativas (fotog/Getty Images)

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Carolina Riveira

12 de janeiro de 2023, 11h06

A inflação dos EUA caiu 0,1% em dezembro, segundo divulgado pelo governo americano nesta quinta-feira, 12 na medição do Consumer Price Index (CPI), principal índice inflacionário do país.

No acumulado do ano, a inflação americana fechou 2022 em 6,5%.

O número veio em linha com as expectativas do mercado, que apostavam no mesmo valor de 6,5%, desacelerando em relação aos picos vistos em parte do ano.

Em novembro, o índice havia subido 0,1%, já em queda no acumulado de 12 meses.

O resultado confirma desaceleração no índice após a inflação dos EUA chegar perto de 9% no primeiro semestre, no auge da alta dos combustíveis diante da guerra na Ucrânia. A inflação americana no primeiro semestre de 2022 beirou seu maior patamar em 40 anos, o pior nível desde o choque do petróleo no fim dos anos 1970.

Além dos fatores externos, o mercado de trabalho americano vive cenário de "emprego pleno", com taxa de desemprego em 3,5%, ajudando a impulsionar as pressões inflacionárias pelo lado da demanda.

A desaceleração da inflação americana nos últimos meses foi impulsionada pelos riscos de recessão, que fizeram baixar o preço do petróleo e de outras commodities no exterior. Na política monetária, o Fed, banco central americano, também iniciou forte trajetória de alta de juros.

O Fed levou a taxa de juros americana a 4,25% e 4,5% – o nível mais alto desde 2007. A última alta ocorreu em dezembro, mas novos aumentos são previstos para este ano, ainda que menores. A atual projeção do Fed é de juros em 5,1% em 2023.

Inflação americana "quase empata" com a brasileira

Com cenário de pressões inflacionárias, havia uma expectativa de que a inflação dos EUA ficasse até mesmo superior à do Brasil no fim do ano, o que não ocorreu. O IPCA brasileiro fechou 2022 em 5,79%, segundo divulgado também nesta semana pelo IBGE.

Na prática, a comparação também exige algumas cautelas. O resultado da inflação brasileira teria sido maior não fossem as desonerações de combustíveis promovidas no segundo semestre. Embora tenham ajudado a conter a inflação em 2022 (apesar de críticas diante do alto custo fiscal), o fim das desonerações previsto para 2023 deve carregar para este ano novas pressões inflacionárias no Brasil, e a tendência é que a inflação brasileira e americana comecem a se descolar de forma mais acentuada.

Uma inflação americana no patamar de 8% como vista em partes deste ano é fora do comum para a economia do país, acostumada a inflação de menos de 2% e juros muito baixos.

Para 2023, economistas seguem em alerta para observar em que ritmo a desaceleração inflacionária nos EUA e em outras economias desenvolvidas continuará de fato.

O mercado de trabalho começou a desacelerar, mas segue em cenário de pleno emprego, o que é observado com cautela pela via da demanda. Um dos riscos no caso de economias desenvolvidas, como EUA e União Europeia (que também vive inflação recorde) é que os reajustes deste ano, buscando compensar a alta inflação do ano anterior, carreguem para os meses seguintes parte dos aumentos do ano passado e tornem a inflação mais "inercial".

Na outra ponta, a alta de juros deve cada vez mais levar a uma desaceleração da economia (e da inflação). Embora o aperto monetário ajude a conter a inflação, o risco é que o Fed não consiga um equilíbrio para o chamado "pouso suave", fazendo com que a alta de juros aumente a possibilidade de uma recessão global.