Economia

Brasil pode elevar produtividade em até 1,4% ao ano com IA, diz Moody’s

País aparece no índice de prontidão para IA do FMI e integra grupo de emergentes com ganhos projetados entre 0,4% e 1,4% ao ano

Produtividade no Brasil:  (Leandro Fonseca/Exame)

Produtividade no Brasil: (Leandro Fonseca/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O Brasil está no grupo de mercados emergentes que podem registrar ganhos anuais de produtividade entre 0,4% e 1,4% com a adoção de inteligência artificial, segundo relatório da Moody’s.

A estimativa considera os efeitos da inteligência artificial generativa (GenAI) por meio de automação, aumento de capacidades e reintegração da mão de obra.

A análise da agência, baseada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que economias avançadas devem registrar ganhos superiores, entre 1,2% e 2,9% ao ano, enquanto os mercados emergentes apresentam impactos mais moderados devido às diferenças na estrutura ocupacional.

Luxemburgo, por exemplo, tem um ganho de produtividade de até 3%.

No gráfico de comparação entre países, o Brasil aparece dentro da média projetada para emergentes, que é de 1,4% ao ano, abaixo da média de 2,1% estimada para economias avançadas.

Os ganhos de produtividade são maiores, em média, para AEs, mas há variação - Economias selecionadas, %

O relatório também inclui o Brasil no Índice de Prontidão para a IA, indicador que mede a capacidade estrutural dos países de absorver os ganhos da tecnologia.

No ranking apresentado, o país aparece entre as últimas posições atrás de economias como Chile, Uruguai, Costa Rica e Polônia, mas à frente de países como Panamá, Filipinas e África do Sul.

Segundo a Moody’s, a variação entre economias avançadas e emergentes “mascara nuances subjacentes”.

Embora os emergentes tenham menor exposição ocupacional à IA, alguns países com maior preparação tecnológica podem capturar ganhos mais rapidamente.

Caso economias com maior prontidão reduzam o período de materialização dos ganhos de produtividade de 10 para seis anos, o crescimento anual pode aumentar em cerca de 20 pontos-base, segundo simulação apresentada no relatório.

Estrutura dos países limita exposição

De acordo com os dados do FMI utilizados pela Moody’s, mercados emergentes têm menor proporção de empregos em ocupações com alta exposição à IA quando comparados às economias avançadas. Essa diferença estrutural ajuda a explicar a faixa projetada de ganhos mais moderados.

O relatório ressalta que, para quase todas as economias analisadas, as melhorias de produtividade são predominantemente impulsionadas pela automação.

No entanto, o efeito líquido dependerá da reintegração da mão de obra deslocada e da criação de novas tarefas.

Os resultados fornecem apenas uma medida da magnitude potencial dos ganhos, e os impactos específicos de cada país dependerão de variáveis como ritmo de adoção, políticas públicas, condições demográficas e taxas de desemprego.

A Moody’s destaca ainda que governos podem optar por retardar a adoção da IA para mitigar custos sociais e fiscais associados ao deslocamento de trabalhadores. Em países com baixo desemprego estrutural, os ganhos potenciais da automação podem ser limitados.

No caso brasileiro, o relatório não altera a faixa estimada para mercados emergentes, mas indica que a velocidade de adoção e o ambiente de políticas públicas serão determinantes para a captura efetiva dos ganhos projetados.

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