Produtividade no Brasil: (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h00.
O Brasil está no grupo de mercados emergentes que podem registrar ganhos anuais de produtividade entre 0,4% e 1,4% com a adoção de inteligência artificial, segundo relatório da Moody’s.
A estimativa considera os efeitos da inteligência artificial generativa (GenAI) por meio de automação, aumento de capacidades e reintegração da mão de obra.
A análise da agência, baseada em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que economias avançadas devem registrar ganhos superiores, entre 1,2% e 2,9% ao ano, enquanto os mercados emergentes apresentam impactos mais moderados devido às diferenças na estrutura ocupacional.
Luxemburgo, por exemplo, tem um ganho de produtividade de até 3%.
No gráfico de comparação entre países, o Brasil aparece dentro da média projetada para emergentes, que é de 1,4% ao ano, abaixo da média de 2,1% estimada para economias avançadas.
Os ganhos de produtividade são maiores, em média, para AEs, mas há variação - Economias selecionadas, %

O relatório também inclui o Brasil no Índice de Prontidão para a IA, indicador que mede a capacidade estrutural dos países de absorver os ganhos da tecnologia.
No ranking apresentado, o país aparece entre as últimas posições atrás de economias como Chile, Uruguai, Costa Rica e Polônia, mas à frente de países como Panamá, Filipinas e África do Sul.
Segundo a Moody’s, a variação entre economias avançadas e emergentes “mascara nuances subjacentes”.
Embora os emergentes tenham menor exposição ocupacional à IA, alguns países com maior preparação tecnológica podem capturar ganhos mais rapidamente.
Caso economias com maior prontidão reduzam o período de materialização dos ganhos de produtividade de 10 para seis anos, o crescimento anual pode aumentar em cerca de 20 pontos-base, segundo simulação apresentada no relatório.De acordo com os dados do FMI utilizados pela Moody’s, mercados emergentes têm menor proporção de empregos em ocupações com alta exposição à IA quando comparados às economias avançadas. Essa diferença estrutural ajuda a explicar a faixa projetada de ganhos mais moderados.
O relatório ressalta que, para quase todas as economias analisadas, as melhorias de produtividade são predominantemente impulsionadas pela automação.
No entanto, o efeito líquido dependerá da reintegração da mão de obra deslocada e da criação de novas tarefas.
Os resultados fornecem apenas uma medida da magnitude potencial dos ganhos, e os impactos específicos de cada país dependerão de variáveis como ritmo de adoção, políticas públicas, condições demográficas e taxas de desemprego.A Moody’s destaca ainda que governos podem optar por retardar a adoção da IA para mitigar custos sociais e fiscais associados ao deslocamento de trabalhadores. Em países com baixo desemprego estrutural, os ganhos potenciais da automação podem ser limitados.
No caso brasileiro, o relatório não altera a faixa estimada para mercados emergentes, mas indica que a velocidade de adoção e o ambiente de políticas públicas serão determinantes para a captura efetiva dos ganhos projetados.