Economia

Carga tributária do Brasil chega a 32,4% do PIB em 2025, maior valor da série histórica

No âmbito federal, o avanço da carga tributária foi influenciado principalmente pela maior arrecadação do IRRF, segundo o Tesouro Nacional

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de abril de 2026 às 15h34.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 15h35.

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Em 2025, a carga tributária bruta (CTB) do governo brasileiro — que engloba os governos federal, estadual e municipal — atingiu 32,40% do PIB, com alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024. Este foi o maior patamar desde 2010, início da série histórica do órgão.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo Tesouro Nacional. As informações constam no Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo de 2025, também publicado nesta sexta-feira.

O levantamento segue as diretrizes do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas, de 2014, do FMI. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é responsável pela divulgação oficial do dado no país. O indicador corresponde à proporção entre o total de tributos arrecadados pelas três esferas de governo e o Produto Interno Bruto (PIB).

Maior arrecadação do IRRF e alta do IOF

No âmbito federal, o avanço da carga tributária foi influenciado principalmente pela maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com incremento de 0,23 ponto percentual do PIB, associado ao crescimento da massa salarial.

"No âmbito da arrecadação do governo central, observa-se, na categoria Impostos sobre renda, lucros e
ganhos de capital, um acréscimo de 0,23 p.p. do PIB no Imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF),
refletindo, entre outros fatores, o crescimento dos rendimentos do trabalho decorrente da expansão da
massa salarial", diz o documento.

Também houve aumento do IOF (0,10 p.p. do PIB) e das contribuições ao RGPS (0,12 p.p. do PIB), ligados às operações de crédito, câmbio e à expansão do emprego formal, além da reoneração da folha de pagamentos.

"A ampliação de 0,12 p.p. do PIB na arrecadação das Contribuições para o RGPS (Regime Geral da Previdência Social), impulsionada pelo crescimento da massa salarial e criação de postos de trabalho formais, além dos efeitos da reoneração escalonada da contribuição patronal e da folha de pagamentos", explica o relatório.

Nos estados, houve recuo de 0,09 ponto percentual do PIB na carga tributária. O movimento está relacionado à redução relativa da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Mesmo com crescimento nominal, a receita avançou abaixo do PIB, refletindo uma dinâmica econômica concentrada em setores com menor incidência do imposto.

Nos municípios, a carga tributária registrou alta de 0,03 ponto percentual do PIB. O resultado foi puxado pelo Imposto sobre Serviços (ISS), com aumento de 0,02 ponto percentual, acompanhando o desempenho do setor de serviços. Tributos sobre propriedade, como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), também contribuíram, enquanto os demais itens permaneceram estáveis.

Por setor

A estrutura da carga tributária apresentou pouca variação em 2025. Os impostos sobre bens e serviços seguem como principal fonte, com leve recuo de 13,87% para 13,78% do PIB.

Já os tributos sobre renda, lucros e ganhos de capital subiram de 9,04% para 9,16% do PIB.

Entre as contribuições sociais, aquelas destinadas ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) avançaram de 5,28% para 5,40% do PIB, acompanhando o mercado de trabalho. As contribuições ao RPPS mantiveram estabilidade.

Quais impostos federais aumentaram?

O relatório aponta elevação na arrecadação de tributos federais específicos:

  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): passou de 0,57% para 0,68% do PIB, impulsionado por mudanças em alíquotas sobre crédito e câmbio.
  • Imposto de Renda retido na fonte (IRRF): subiu de 4,78% para 5% do PIB, em linha com o aumento da massa salarial e do emprego formal.
  • Contribuições previdenciárias (INSS): avançaram de 5,28% para 5,40% do PIB, refletindo emprego formal e reoneração da folha.
  • Imposto de Importação: cresceu de 0,66% para 0,71% do PIB, acompanhando o comércio exterior.

No caso do IRRF, o crescimento não decorre de alteração de alíquotas. O Tesouro atribui o resultado à expansão econômica, especialmente da massa salarial, já que o tributo incide diretamente sobre rendimentos e salários.

Comparação internacional

Mesmo com a elevação, o nível de tributação no Brasil permanece próximo ao de economias desenvolvidas, em 32,40%. A carga tributária nacional está abaixo da média da OCDE, em torno de 34,06% do PIB, e acima da média da América Latina, próxima de 21%.

A composição, no entanto, difere. No Brasil, há maior concentração em tributos sobre consumo e folha de pagamentos. Nos países da OCDE, a arrecadação se distribui com maior peso sobre renda e patrimônio.

Evolução da Carga Tributária Bruta - Governo Geral - Brasil e países selecionados - 2010 a 2025. Dados em: % do PIB Fonte: STN e OCDE - Revenue Statistics (Tesouro Nacional/Divulgação)

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