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Lula critica Trump e diz que não faria ameaças ao Brasil 'se soubesse o que é um nordestino nervoso'

Em evento, o presidente reiterou a posição do governo brasileira pela paz no Oriente Médio

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de abril de 2026 às 20h42.

Última atualização em 10 de abril de 2026 às 20h48.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira, 10. Ele afirmou que o líder americano está "ameaçando todo mundo", em meio ao envolvimento do governo americano no conflito com o Irã.

A declaração foi feita durante agenda oficial em Sorocaba, interior de São Paulo. O chefe de Estado participou de visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo.

"O mundo está difícil. O Trump está aí ameaçando todo mundo. Trump não sabe o que é um pernambucano. Senão ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião ele tomava muito cuidado. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso ele não brigaria com o Brasil. De qualquer forma, não queremos guerra. Queremos paz", declarou Lula.

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Atritos entre EUA e Irã

No mesmo dia, Trump voltou a adotar discurso mais duro em relação ao Irã. Em uma publicação na rede social Truth Social, ele criticou o controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz e afirmou que o país "só está vivo hoje para negociar".

Representantes dos Estados Unidos e Irã têm reunião prevista para este sábado, 11, no Paquistão, em um cenário de cessar-fogo considerado instável. Autoridades iranianas afirmam que o acordo já teria sido violado por adversários, entre eles Israel.

O presidente brasileiro já havia feito referência semelhante no início do ano, ao mencionar, em tom informal, que seu "parentesco com Lampião" poderia influenciar a postura do líder norte-americano em relação ao Brasil.

Relações de Lula com Trump

Durante o evento nesta sexta-feira, Lula reiterou a posição do país em defesa da paz.

"Queremos paz. Nós queremos ter acesso a cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Só queremos coisa boa. Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor. Aqui somos a terra de quem não tem medo de ser feliz."

Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone e discutiram a realização de um encontro em Washington. A previsão inicial indicava março como possível data, mas o compromisso segue indefinido.

O adiamento ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e dificuldades na definição de uma agenda bilateral. Entre os temas previstos, estava a cooperação em segurança pública e combate ao crime organizado, pauta considerada prioritária no cenário político brasileiro.

Diante da indefinição da viagem, o Ministério da Fazenda informou que está em fase final de estruturação de uma parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de proteção de fronteiras dos Estados Unidos. A iniciativa tem foco no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

O projeto, denominado Projeto MITMutual Interdiction Team, equipe de interdição mútua —, prevê integração de inteligência e operações conjuntas para interceptar cargas ilegais, como armamentos e entorpecentes.

Conflito no Oriente Médio

Nesta quarta-feira, 8, o Ministério das Relações Exteriores divulgou comunicado sobre o cenário internacional, destacando o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O texto também solicita que os países evitem ações "retóricas" e menciona a inclusão do Líbano nas negociações.

A manifestação ocorreu após entendimento temporário entre o governo norte-americano e o regime iraniano sobre o Estreito de Ormuz, área estratégica por onde circula cerca de 20% da produção global de petróleo.

Trump havia declarado em rede social que uma civilização inteira poderia "morrer".

"Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente", diz a nota oficial.

"A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica", acrescentou o ministério.

O posicionamento integra manifestações internacionais após o anúncio de cessar-fogo envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

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