João Innecco, da ECX Pay: público-alvo segue sendo empresas com 50 a 10 mil colaboradores (Ecx Pay/Divulgação)
Repórter
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 08h56.
A Ecx Pay, fintech de benefícios corporativos do grupo mineiro Ecx Card, quadruplicou de tamanho em 2025 e encerrou o ano com mais de R$ 500 milhões em volume total transacionado (TPV), ante R$ 115 milhões no ano anterior.
O resultado supera a meta de R$ 400 milhões projetada um ano atrás e vem acompanhado de um plano de quase dobrar novamente o TPV em 2026, chegando a R$ 1 bilhão movimentado na plataforma.
A empresa, que simplifica a gestão de benefícios para o RH, diz ter ampliado a base de clientes em cerca de 67% em 2025, com alta de 20% no tíquete médio.
Hoje, a Ecx Pay atende aproximadamente 105 mil colaboradores em cerca de 2.000 empresas, entre elas MRV, Fini, V4 Company, Unipar e Supernosso.O portfólio vai além do vale-alimentação tradicional: a plataforma reúne funções como antecipação salarial e ferramentas voltadas à gestão corporativa.
Na prática, o cartão funciona como uma extensão salarial: o colaborador acessa, num único aplicativo, alimentação, transporte, incentivos e adiantamento de até 30% do próximo salário, dentro de regras definidas pela empresa.A trajetória do cofundador João Henrique Innecco, hoje com 24 anos, começa bem antes da Ecx Pay.
Filho do presidente da Ecx Card, ele começou a trabalhar no call center da empresa aos 16 anos, atendendo diretamente reclamações e dúvidas de usuários de cartões de benefício.
“Foi uma escola de paciência, inovação e, principalmente, de entender que o que era bom no passado já não atendia mais às novas necessidades dos clientes”, disse.
A grande diferença em relação à Ecx Card, fundada em 1993, está no modelo de operação.
Enquanto a “empresa-mãe” trabalha com bandeira própria e rede credenciada concentrada em Minas Gerais, a Ecx Pay nasceu com a lógica de cartão multibenefícios e parceria com a Mastercard.
O salto de 2025 aconteceu em um ano marcado por mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que atualizou regras e tentou corrigir distorções históricas do mercado de benefícios no Brasil.
Para Innecco, as alterações representam um “amadurecimento necessário” do setor, em especial por reduzir o espaço de modelos pouco transparentes e práticas comerciais que pressionavam o ecossistema, tirando eficiência do bolso do trabalhador e dos estabelecimentos.
“O decreto vem para recolocar o trabalhador no centro do programa e aumentar a integridade, a concorrência e a previsibilidade”, afirma o cofundador.Segundo ele, a Ecx Pay nasceu já desenhada para operar em conformidade com o novo PAT, enquanto parte do mercado tenta judicializar ou buscar liminares para preservar práticas que o regulador quis mexer.
Por isso, a Ecx Pay vem reforçando frentes de atendimento e tecnologia: estruturou um time comercial focado em grandes contas, aumentou as equipes de suporte humano e acelerou investimentos em automação e inteligência artificial para absorver um volume maior de usuários ao longo de 2026.
A promessa é manter atendimento humano com tempo médio de resposta de até 30 segundos, apoiado por sistemas que automatizam tarefas sem perder proximidade com empresas e colaboradores.
Com o novo cenário regulatório e o lançamento de funcionalidades como Pix-Transporte, cartão corporativo e gestão de frotas, a Ecx Pay projeta praticamente dobrar o volume transacionado em 2026, alcançando R$ 1 bilhão movimentado.
A empresa quer se consolidar como uma espécie de “plataforma completa” para o RH, concentrando em um único fornecedor benefícios flexíveis, prêmios, adiantamento salarial, cartão corporativo e controle de gastos com veículos — neste último caso, sem a cobrança da taxa de ágio, apontada como um diferencial competitivo no setor.
O público-alvo segue sendo empresas com 50 a 10 mil colaboradores, faixa em que o benefício já é relevante para atração e retenção de pessoas, mas em que o RH costuma operar com equipes enxutas e pouca margem para processos manuais.