Ciência

Tempestade solar pode atingir a Terra a partir deste sábado; veja os possíveis riscos ao Brasil

Previsão indica perturbações entre 6 e 7 de novembro, com possíveis interferências em satélites e rádio, sem indicação de apagões generalizados

Uma corrente de vento solar pode provocar alterações no campo magnético da Terra entre 6 e 7 de novembro (Pitris/Getty Images)

Uma corrente de vento solar pode provocar alterações no campo magnético da Terra entre 6 e 7 de novembro (Pitris/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 16h38.

Última atualização em 6 de novembro de 2026 às 16h41.

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Uma corrente de partículas solares pode causar tempestade geomagnética na Terra entre 6 e 7 de novembro. O fenômeno, classificado como evento G1, pode interferir em satélites, navegação e rádio, mas sem riscos graves ao Brasil. A NOAA monitora o cenário e avalia pequenas chances de intensificação para categoria G2.

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Uma corrente de partículas liberadas pelo Sol poderá provocar uma tempestade geomagnética na Terra entre esta sexta-feira, 6, e o sábado, 7 de novembro. A previsão citada no boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgado na quinta-feira, 5, indica possíveis interferências em operações de satélites, navegação e comunicações por rádio.

O cenário previsto é de um evento G1, o primeiro dos cinco níveis da escala de tempestades geomagnéticas. A agência também aponta uma pequena possibilidade de o fenômeno alcançar a categoria G2 no sábado.

De acordo com esse boletim, as perturbações são mais prováveis entre a noite de sexta-feira e o início de sábado, no horário de Brasília. A intensidade estimada não indica interrupções generalizadas de internet, telefonia celular ou fornecimento de energia.

O que provoca a tempestade solar?

O alerta está associado principalmente à chegada de uma corrente de vento solar de alta velocidade, um fluxo de partículas carregadas que se deslocam pelo espaço.

Esse material tem origem em um buraco coronal, região da atmosfera do Sol cuja configuração magnética facilita a saída de partículas. Ao alcançar o ambiente terrestre, o fluxo pode interagir com o campo magnético do planeta e provocar uma tempestade geomagnética.

A intensidade dessa interação depende de fatores como a velocidade do vento solar e a orientação do campo magnético que ele transporta.

A NOAA também acompanhava uma ejeção de massa coronal, lançamento de material solar ao espaço, registrada em 1º de novembro. Havia possibilidade de uma passagem tangencial pela Terra na quinta-feira, 5. Para sexta-feira e sábado, porém, a corrente de vento solar era o principal fator considerado na previsão.

Quais serviços podem sofrer interferências?

As alterações no ambiente espacial exigem atenção de operadores de satélites. Na categoria G1, os efeitos esperados são limitados. Caso a tempestade alcance G2, podem ocorrer mudanças no arrasto atmosférico sobre equipamentos em órbita baixa, com necessidade de ajustes operacionais.

O GPS também pode apresentar variações de precisão. Isso ocorre porque perturbações na ionosfera, camada da atmosfera que interfere na propagação de ondas de rádio, podem alterar o percurso dos sinais de navegação.

A previsão, entretanto, não aponta uma falha generalizada em aplicativos de mapas ou serviços de localização.

Para os usuários de celulares, o boletim não indica danos diretos aos aparelhos nem necessidade de desligá-los. A possibilidade de interferência em sistemas de navegação ou comunicação por satélite não equivale a uma previsão de queda das redes móveis.

Explosões solares podem afetar transmissões de rádio

O monitoramento também identificou duas erupções de classe C, dentro de um período de atividade solar classificada como baixa pela NOAA. Uma delas ocorreu na região AR4566, acompanhada por apresentar uma configuração magnética complexa.

No boletim de quinta-feira, 5, a agência considerava possíveis novas erupções de classe M até sábado, 7, e apontava uma pequena chance de eventos de classe X, que reúne as explosões de maior intensidade.

As erupções solares e as tempestades geomagnéticas têm efeitos distintos. Enquanto a radiação de uma explosão pode afetar rapidamente comunicações por rádio, uma tempestade geomagnética resulta da interação do material solar com o campo magnético da Terra.

Para sexta-feira e sábado, o boletim atribuía a cada dia uma probabilidade de 35% de eventos R1 ou R2, categorias de apagões de rádio que podem prejudicar transmissões de alta frequência na face iluminada do planeta. A chance diária de eventos R3 ou superiores era de 10%.

Esses percentuais se referem às comunicações por rádio e não representam uma estimativa de interrupção da telefonia celular. Nas imagens analisadas para aquela atualização, a NOAA não havia identificado novas ejeções de massa coronal direcionadas à Terra.

O Brasil pode sentir os efeitos?

Os impactos de uma tempestade geomagnética variam conforme a localização. Regiões próximas aos polos magnéticos tendem a apresentar maior sensibilidade, inclusive em operações espaciais e redes elétricas.

No caso do Brasil, a previsão apresentada não indicava apagões generalizados de energia, internet ou telefonia. Serviços que dependem de navegação por satélite e radiocomunicação podem acompanhar as atualizações para avaliar eventuais interferências.

O fenômeno também pode favorecer a ocorrência de auroras em altas latitudes, produzidas pela interação de partículas energéticas com gases da atmosfera.

O Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA atualiza seus boletins conforme recebe dados sobre o vento solar, as regiões ativas do Sol e as condições do campo magnético terrestre.

Glossário

O que é evento G1?

Nível inicial na escala de tempestades geomagnéticas, com efeitos limitados a ajustes operacionais em satélites e pequenas variações no GPS.

O que significa categoria G2?

Nível intermediário de tempestade geomagnética que pode causar mudanças no arrasto atmosférico, afetar a precisão do GPS e exigir ajustes maiores em operações espaciais.

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