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Anvisa aprova primeiro remédio não hormonal para sintomas da menopausa

Veoza amplia opções de tratamento contra ondas de calor e suores noturnos e pode beneficiar mulheres que não podem usar reposição hormonal

 (Imagem gerada por IA/Exame)

(Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 23 de junho de 2026 às 07h58.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 22, uma terapia não hormonal para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa.

O medicamento, comercializado como Veoza, foi desenvolvido pela Astellas Farma e passa a ser uma alternativa para mulheres que não podem utilizar a terapia de reposição hormonal, considerada o padrão-ouro no controle desses sintomas.

O tratamento é administrado em comprimido de uso diário e atua como uma nova opção terapêutica para sintomas vasomotores, que incluem os chamados “calorões” e os suores noturnos.

Nova abordagem para um problema comum

As ondas de calor e os suores noturnos afetam até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos, segundo dados médicos.

No Brasil, 36,2% das mulheres nessa faixa etária apresentam sintomas moderados a intensos, índice acima da média global de 15,6%. Entre as brasileiras afetadas, quase 70% relatam sintomas intensos, com impacto direto na qualidade do sono, produtividade e bem-estar.

O medicamento atua no sistema nervoso central, ajudando a regular o centro de controle de temperatura do cérebro, localizado no hipotálamo. A proposta é reduzir a frequência e a intensidade dos episódios de calor e sudorese noturna.

Antes da menopausa, há um equilíbrio entre estrogênios e a neurocinina B (NKB), substância envolvida na regulação térmica. Com a queda dos níveis hormonais durante a transição menopausal, esse equilíbrio é rompido, o que contribui para o surgimento dos sintomas vasomotores.

Alternativa à reposição hormonal

O Veoza surge como alternativa especialmente para mulheres que não podem fazer terapia hormonal, seja por contraindicação médica ou por escolha pessoal. A reposição de estrogênio segue sendo considerada o tratamento mais eficaz para sintomas da menopausa, mas não é indicada para todas as pacientes.

Segundo especialistas, a chegada de uma opção não hormonal representa um avanço no manejo clínico da condição. “Historicamente, as opções não hormonais eram limitadas.

Este novo tratamento amplia as possibilidades terapêuticas”, afirma o ginecologista Nilson Roberto de Melo, presidente da Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC).

O especialista destaca ainda que a terapia pode contribuir não apenas para o alívio dos sintomas físicos, mas também para a melhora do bem-estar psicológico durante a menopausa.

Eficácia e estudos clínicos

A aprovação do fezolinetanto, princípio ativo do medicamento, foi baseada em três ensaios clínicos de fase 3, que reuniram mais de 3 mil participantes na Europa, Estados Unidos e Canadá.

Segundo os dados apresentados, houve redução na frequência e intensidade das ondas de calor, além de melhora na qualidade do sono e da vida das pacientes. Os efeitos foram observados já nos primeiros dias de uso em parte das participantes.

Além disso, especialistas apontam que sintomas vasomotores não tratados podem estar associados a piora da qualidade de vida e possíveis impactos cardiovasculares e neurológicos, embora o mecanismo dessas relações ainda seja objeto de estudo.

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