Ciência

Uso precoce de celular amplia riscos à saúde das crianças

Dados indicam que crianças que recebem smartphone antes dos 13 anos apresentam mais queixas de saúde mental ao longo da juventude

Celulares: pesquisadores apontam que o aparelho não costuma aparecer nos sonhos porque tem pouco peso emocional no inconsciente (Pixabay)

Celulares: pesquisadores apontam que o aparelho não costuma aparecer nos sonhos porque tem pouco peso emocional no inconsciente (Pixabay)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 06h45.

A idade em que uma criança ganha o primeiro smartphone pode influenciar diretamente sua saúde mental e emocional. É o que aponta uma pesquisa com dados de mais de 10 mil adolescentes publicada  na revista Pediatrics, que encontrou associação entre o acesso precoce ao aparelho e maior incidência de sintomas como ansiedade, depressão e alterações no sono ao longo da adolescência.

Celular aumenta risco de sofrimento psíquico

O estudo acompanhou adolescentes por um período de até seis anos e analisou não só o tempo diário dedicado às telas, mas também a idade em que cada participante passou a ter um smartphone próprio. Os dados mostram que, aos 12 anos, 64% já eram donos do aparelho. Aos 14, esse índice chegava a 89%. A idade mediana para a obtenção do primeiro celular foi de 11 anos.

De acordo com a pesquisa, crianças que receberam o primeiro smartphone antes dos 13 anos apresentaram maior probabilidade de relatar sofrimento psicológico posteriormente. A pesquisa identificou que quanto mais cedo ocorre o acesso individual ao dispositivo, maiores são os riscos de exposição excessiva a redes sociais, cyberbullying e conteúdos inadequados.

Na comparação entre jovens que já tinham o dispositivo e aqueles que ainda não tinham, o grupo com smartphone apresentou 30% mais probabilidade de desenvolver depressão, 40% mais risco de obesidade e 60% mais chance de enfrentar distúrbios do sono, incluindo dormir menos do que o recomendado.

Sono pode ser prejudicado pelo uso de telas

Os pesquisadores também observaram impacto no padrão de sono. O uso frequente de telas à noite está associado à redução do tempo de descanso e à piora da qualidade do sono, o que pode afetar o desempenho escolar, a memória e o equilíbrio emocional. Além disso, o acesso irrestrito a aplicativos e notificações tende a estimular um comportamento de checagem compulsiva, reforçando ciclos de dependência digital.

Impacto pode ser diferente entre meninos e meninas

Outro ponto destacado é a diferença de impacto entre meninos e meninas. O levantamento indica que as meninas podem apresentar maior vulnerabilidade a efeitos ligados à pressão estética e à comparação social em plataformas digitais, enquanto meninos estariam mais expostos a conteúdos agressivos ou de risco. Ainda assim, ambos os grupos mostram aumento de sintomas quando o uso começa em idades muito precoces.

Qual é a idade ideal?

O estudo não afirma que o smartphone, por si só, cause transtornos mentais, mas reforça que a combinação entre acesso precoce, ausência de supervisão e uso intenso aumenta a probabilidade de prejuízos à saúde. Os autores defendem que a idade mínima de 13 anos, frequentemente adotada como referência por plataformas digitais, seja considerada um parâmetro importante pelas famílias.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece orientações sobre o tempo diário de exposição às telas de acordo com a faixa etária. Para crianças de 2 a 5 anos, a recomendação é de no máximo uma hora por dia. Entre 6 e 10 anos, o período indicado varia de uma a duas horas diárias. Já para adolescentes de 11 a 18 anos, o limite sugerido é de duas a três horas por dia. A entidade também orienta que o acesso a dispositivos eletrônicos ocorra com acompanhamento de um responsável.

Independentemente do tipo de dispositivo, seja celular ou tablet, a SBP orienta: não permitir o uso de telas no quarto durante a noite, definir horários específicos para acessar os aparelhos, incentivar práticas esportivas e convivência presencial e, nas fases mais iniciais da infância, dar preferência a dispositivos que não ofereçam acesso ilimitado à internet.

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