Tuco-tuco-das-dunas: espécie ameaçada de extinção e considerada uma das mais restritas do país em termos de distribuição geográfica (Rodrigo Trespach / Instagram/ @Trespachphotography/Reprodução)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 19h59.
Avistado entre as dunas da praia de Santa Terezinha, em Imbé, no litoral norte do Rio Grande do Sul, um pequeno roedor raro chamou a atenção no fim de dezembro. Trata-se do tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni), espécie ameaçada de extinção e considerada uma das mais restritas do país em termos de distribuição geográfica.
O registro, feito em 29 de dezembro pelo historiador Rodrigo Trespach, mostra o animal enquanto escavava uma toca. Endêmico do Rio Grande do Sul, o tuco-tuco-das-dunas habita exclusivamente uma estreita faixa litorânea entre a Barra do Chuí, no extremo sul, e Arroio Teixeira, no norte do estado. A espécie consta na lista vermelha da IUCN, International Union for Conservation of Nature, organização responsável pela avaliação global de risco de extinção de animais e plantas.
Apesar de lembrar marmotas do hemisfério Norte, o tuco-tuco tem parentesco direto com roedores sul-americanos como a capivara, o ratão-do-banhado e a preá. Alimenta-se de raízes e gramíneas e contribui para o equilíbrio ecológico das dunas, ao atuar na aeração do solo e na dispersão de sementes.
A presença da espécie tem se tornado cada vez mais rara em razão da ocupação humana no litoral gaúcho. Urbanização, pisoteio das dunas, instalação de equipamentos de praia e presença de animais domésticos afetam diretamente seu habitat. Vivendo em tocas subterrâneas, o tuco-tuco é sensível a alterações físicas no solo.
A UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mantém desde os anos 1990 o Projeto Tuco-Tuco, iniciativa voltada à conservação da espécie e à educação ambiental. O projeto combina pesquisa científica com ações de conscientização da população que frequenta o litoral, especialmente durante o verão, período crítico para a integridade das dunas.
Entre as medidas adotadas pelo projeto estão placas informativas nas praias, campanhas nas redes sociais e orientação direta à população. As recomendações incluem o uso de passarelas para evitar o pisoteio da vegetação, evitar montar estruturas sobre as dunas, manter animais de estimação com coleira e descartar resíduos de forma adequada.