Ciência

Fósseis de 512 milhões de anos achados na China revelam espécies inéditas

Achado reúne mais de 150 organismos, com 91 espécies inéditas, e amplia a visão sobre ecossistemas antigos

Fósseis: achado na China revela ecossistema marinho de 512 milhões de anos (Reprodução)

Fósseis: achado na China revela ecossistema marinho de 512 milhões de anos (Reprodução)

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 06h00.

Fósseis de criaturas marinhas com 512 milhões de anos foram descobertos no sul da China e revelam detalhes inéditos sobre a vida nos oceanos primitivos.

Os achados incluem invertebrados com pernas, brânquias, intestinos, olhos e estruturas do sistema nervoso, oferecendo novas pistas sobre a biodiversidade logo após a explosão cambriana, um dos períodos mais importantes da evolução animal.

A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na última quarta-feira, 28, na revista científica Nature.

Os fósseis fazem parte da chamada biota de Huayuan, conjunto encontrado em uma única pedreira no condado de Huayuan, na província chinesa de Hunan.

Fósseis do Cambriano revelam biodiversidade inédita

Os pesquisadores analisaram 8.681 espécimes e identificaram 153 espécies diferentes, das quais 91 eram desconhecidas pela ciência.

Todos os organismos são invertebrados e pertencem a 16 grandes grupos animais, de uma época em que a vida ainda estava restrita aos ambientes marinhos.

Entre os grupos mais representados estão:

  • Artrópodes, ancestrais de insetos, crustáceos e aracnídeos
  • Cnidários, como águas-vivas, corais e anêmonas-do-mar
  • Esponjas, entre os animais mais antigos conhecidos

Segundo os pesquisadores, o estado de conservação dos fósseis possibilita observar estruturas microscópicas, algo extremamente incomum em materiais com mais de meio bilhão de anos.

Ambiente marinho favoreceu preservação dos fósseis

De acordo com o paleontólogo Han Zeng, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, a biota de Huayuan se desenvolveu em um ambiente de águas profundas, na borda da antiga plataforma continental do sul da China.

Essas condições ajudaram a preservar os organismos mesmo após uma extinção em massa ocorrida há cerca de 513,5 milhões de anos, associada a intenso vulcanismo e rápidas mudanças climáticas globais.

Esse evento interrompeu a explosão cambriana, período marcado pelo surgimento acelerado dos principais grupos do reino animal.

Predadores primitivos e relação com vertebrados

Os fósseis indicam um ecossistema marinho complexo, com organismos distribuídos pela coluna d’água e também pelo sedimento do fundo oceânico. Os principais predadores eram artrópodes primitivos, equipados com membros especializados para capturar presas enquanto nadavam.

O conjunto também inclui espécies espinhosas e organismos pertencentes a uma subdivisão considerada próxima dos ancestrais dos vertebrados, grupo que mais tarde daria origem a peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Os pesquisadores observaram semelhanças entre a biota de Huayuan e outros dois conjuntos fósseis emblemáticos do período Cambriano: o xisto Burgess, no Canadá, e a biota de Chengjiang, no sudoeste da China.

Essas conexões sugerem que larvas de animais marinhos já eram capazes de se dispersar por correntes oceânicas globais há mais de 500 milhões de anos.

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