Ciência

Teste do pezinho: para que serve e quando deve ser feito

Exame realizado nos primeiros dias de vida ajuda a identificar doenças genéticas, metabólicas e raras em recém-nascidos

Teste do pezinho: triagem neonatal detecta doenças precocemente (Thinkstock)

Teste do pezinho: triagem neonatal detecta doenças precocemente (Thinkstock)

Publicado em 11 de maio de 2026 às 11h25.

O teste do pezinho é um exame realizado em recém-nascidos para detectar precocemente doenças genéticas, metabólicas, endócrinas e infecciosas. Também conhecido como triagem neonatal, o procedimento faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) e deve ser feito entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê, segundo o Ministério da Saúde.

A coleta é simples e feita com algumas gotas de sangue retiradas do calcanhar do recém-nascido. O exame permite identificar doenças antes mesmo do aparecimento dos sintomas, possibilitando o início rápido do tratamento e reduzindo riscos de complicações graves.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o teste do pezinho.

O que é o teste do pezinho?

O teste do pezinho é um exame laboratorial realizado nos primeiros dias de vida do bebê para detectar doenças que podem comprometer o desenvolvimento infantil. A triagem neonatal consegue identificar alterações genéticas, metabólicas e hormonais ainda em fase inicial.

De acordo com o Ministério da Saúde, muitas dessas doenças são assintomáticas nos primeiros dias de vida, o que torna o diagnóstico precoce essencial.

Para que serve?

O exame serve para identificar doenças que podem causar atrasos no desenvolvimento, complicações neurológicas, problemas respiratórios e outras alterações graves caso não sejam tratadas rapidamente.

Com o diagnóstico precoce, médicos conseguem iniciar tratamentos específicos antes do surgimento de sintomas mais severos. A identificação das doenças também pode evitar complicações e reduzir a necessidade de tratamentos mais complexos.

Quais doenças o teste detecta?

O teste do pezinho pode detectar dezenas de doenças genéticas e metabólicas. Entre as principais condições identificadas estão:

  • hipotireoidismo congênito;
  • fenilcetonúria;
  • doença falciforme;
  • fibrose cística;
  • hiperplasia adrenal congênita;
  • deficiência de biotinidase;
  • aminoacidopatias.

Em 2021, a Lei nº 14.154 ampliou gradualmente o número de doenças rastreadas pelo exame para 53 condições. Entre as doenças incluídas na ampliação está a atrofia muscular espinhal (AME), condição neuromuscular progressiva que pode afetar respiração e deglutição.

Quando fazer o teste do pezinho?

O Ministério da Saúde recomenda que o exame seja realizado entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Em muitos casos, a coleta acontece ainda na maternidade. Quando isso não ocorre, os responsáveis devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência.

Segundo entidades médicas, bebês prematuros também devem realizar o exame. Dependendo do quadro clínico e dos procedimentos realizados na unidade neonatal, pode ser necessária uma nova coleta entre a 2ª e a 6ª semana de vida.

Como é feito?

O exame é realizado com a coleta de pequenas gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido. O sangue é colocado em um papel filtro específico e encaminhado para análise laboratorial. De acordo com o órgão de saúde, o calcanhar é escolhido porque possui muitos vasos sanguíneos, facilitando a coleta.

Além disso, o procedimento é rápido e realizado por profissionais treinados.

Teste do pezinho é obrigatório?

O teste do pezinho integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal e faz parte da rotina de cuidados recomendada para todos os recém-nascidos no Brasil. O SUS oferece gratuitamente o exame em maternidades e unidades de saúde.

Na rede privada, existem versões ampliadas do teste, com diferenças no número de doenças analisadas e nas técnicas laboratoriais utilizadas.

Qual é a importância do diagnóstico precoce

De acordo com a pasta da saúde, a principal vantagem da triagem neonatal é permitir o início do tratamento antes do surgimento de sequelas. Na fenilcetonúria, por exemplo, o diagnóstico precoce possibilita controlar a doença com alimentação adequada, evitando danos neurológicos.

Já nos casos de atrofia muscular espinhal (AME), o tratamento iniciado antes do aparecimento dos sintomas pode reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida da criança.

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