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Teste de 1 minuto pode indicar maior risco de morte; veja como fazer

Velocidade com que os batimentos cardíacos diminuem após exercícios pode revelar informações sobre a saúde cardiovascular e o risco de mortalidade

Frequência cardíaca: queda dos batimentos após o exercício pode ajudar a avaliar a saúde cardiovascular (Freepik)

Frequência cardíaca: queda dos batimentos após o exercício pode ajudar a avaliar a saúde cardiovascular (Freepik)

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 07h40.

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A velocidade com que o coração desacelera após o exercício físico pode revelar informações sobre a saúde cardiovascular e estar associada ao risco de morte. Esse indicador, chamado de recuperação da frequência cardíaca (RFC), mede a redução dos batimentos após o esforço.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine, realizado por pesquisadores da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, acompanhou 2.428 adultos durante seis anos e identificou um risco de morte aproximadamente quatro vezes maior entre participantes com recuperação cardíaca reduzida, antes dos ajustes estatísticos.

Após considerar fatores como idade, sexo, doenças preexistentes, medicamentos e capacidade física, o risco permaneceu aproximadamente duas vezes maior nesse grupo.

O resultado indica uma associação estatística, mas não significa que o teste consiga prever individualmente a morte ou diagnosticar uma doença cardíaca.

Como fazer o teste de recuperação da frequência cardíaca?

A recuperação da frequência cardíaca é calculada pela diferença entre os batimentos registrados imediatamente após o exercício e aqueles medidos um minuto depois.

Para acompanhar essa variação, é possível utilizar um cronômetro e um dispositivo de monitoramento cardíaco, como um relógio inteligente. O procedimento consiste em registrar a frequência cardíaca ao terminar uma atividade física e repetir a medição após 60 segundos.

Por exemplo, se os batimentos caírem de 150 para 125 por minuto, a recuperação será de 25 batimentos. O resultado depende da intensidade do exercício e das condições de recuperação.

Na pesquisa, os participantes realizaram um teste de esforço em esteira, com acompanhamento clínico. Após atingir o esforço máximo tolerado, continuaram caminhando lentamente durante a recuperação.

Por isso, uma medição feita em casa não equivale necessariamente à avaliação realizada em ambiente clínico. Pessoas com doenças cardíacas ou restrições ao esforço devem buscar orientação médica antes de realizar atividades físicas intensas.

Quantos batimentos o coração deve diminuir em um minuto?

Uma redução de 12 batimentos por minuto ou menos foi considerada anormal na pesquisa, que utilizou um protocolo específico de recuperação após o exercício.

Entre os 2.428 participantes, 639 pessoas, o equivalente a 26% do total, apresentaram recuperação cardíaca abaixo ou igual a esse limite. A redução mediana registrada no estudo foi de 17 batimentos por minuto, com metade dos participantes apresentando valores entre 12 e 23 batimentos.

O limite de 12 batimentos, porém, não representa um parâmetro universal. A interpretação depende de fatores como idade, condicionamento físico, intensidade da atividade e forma de recuperação. Uma queda mais lenta dos batimentos também não significa, isoladamente, a presença de uma doença cardiovascular.

Por que a recuperação cardíaca está associada ao risco de morte?

A recuperação dos batimentos está relacionada ao funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por regular processos involuntários do organismo.

Durante o exercício, o sistema nervoso simpático aumenta a frequência cardíaca para atender à maior demanda de oxigênio dos músculos. Quando a atividade termina, o sistema parassimpático contribui para a desaceleração do coração e o retorno gradual às condições de repouso.

Uma recuperação mais lenta pode refletir alterações nesse mecanismo de regulação, especialmente na atividade parassimpática.

No estudo, 213 participantes morreram durante os seis anos de acompanhamento, considerando todas as causas de morte. Entre as pessoas com recuperação cardíaca reduzida, a mortalidade foi de 19%, enquanto no grupo com recuperação considerada normal o índice foi de 5%.

A associação permaneceu significativa mesmo após os pesquisadores considerarem outros fatores de risco cardiovascular. Apesar disso, a relação não comprova que a recuperação cardíaca lenta seja a causa direta do aumento do risco de morte.

O que fazer se a frequência cardíaca demorar a baixar?

Um resultado abaixo dos valores de referência não deve ser interpretado isoladamente. A recuperação cardíaca pode fornecer informações sobre a resposta do organismo ao esforço, mas não é suficiente para determinar o risco individual de morte.

Além disso, os resultados obtidos em casa podem variar conforme a atividade realizada e a maneira como os batimentos são medidos.

Caso a recuperação seja persistentemente lenta ou existam outros sintomas, é importante procurar avaliação médica. O teste de recuperação da frequência cardíaca pode ajudar a acompanhar a resposta do coração ao exercício, mas não substitui uma avaliação cardiovascular completa.

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