Ciência

Agência dos EUA confirma El Niño, que pode ser o maior desde 1950

No Brasil, os impactos variam conforme a região e a época do ano. O pico atual é previsto entre novembro e janeiro

El Niño (AFP/AFP Photo)

El Niño (AFP/AFP Photo)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 11 de junho de 2026 às 14h48.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira a formação do El Niño, fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial acima da média.

A confirmação já era esperada por meteorologistas após meses de aquecimento gradual no Pacífico e projeções que indicavam alta probabilidade de desenvolvimento ainda no primeiro semestre de 2026. Em maio, a NOAA estimava 82% de chance de formação do fenômeno nos meses seguintes. Agora, o foco passa a ser a intensidade do evento.

De acordo com boletim divulgado nesta quinta-feira, o El Niño já está estabelecido, com 63% de probabilidade de atingir intensidade muito forte, podendo figurar entre os maiores eventos registrados desde 1950.

El Niño e La Niña são fases opostas do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño ocorre quando há aquecimento de pelo menos 0,5°C nas águas do Pacífico Equatorial, enquanto a La Niña representa o resfriamento dessas mesmas águas.

O fenômeno se manifesta, em geral, a cada dois a sete anos, com duração média de cerca de doze meses, e impacta diretamente a temperatura global. A La Niña, por sua vez, provoca efeitos climáticos em sentido contrário.

Impactos no Brasil

No Brasil, os impactos variam conforme a região e a época do ano. O pico atual é previsto entre novembro e janeiro. Historicamente, o El Niño tende a aumentar as chuvas na região Sul, elevando o risco de temporais e cheias. No Norte e em parte do Nordeste, o padrão oposto costuma ocorrer, com redução das precipitações e agravamento de períodos de seca.

Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos são mais irregulares, incluindo maior frequência de calor, pancadas de chuva mal distribuídas e alterações no comportamento das frentes frias.

A ocorrência do fenômeno gera preocupação adicional devido ao aquecimento global. Embora o El Niño seja uma variação natural do sistema climático e não a causa do aquecimento global, sua atuação em um planeta já mais quente pode intensificar eventos extremos, como ondas de calor, secas e chuvas intensas.

Esses episódios podem impactar setores como agricultura, recursos hídricos, geração de energia, ocorrência de queimadas e até influenciar preços de alimentos em determinadas regiões.

Ainda não é possível afirmar se o evento atual será classificado como um “super El Niño” — termo não oficial, geralmente associado a episódios de grande intensidade, como os de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

A força do fenômeno dependerá do grau de aquecimento do Pacífico Equatorial nos próximos meses e da resposta da atmosfera. Para que se intensifique, é necessário que o sistema oceano-atmosfera atue de forma acoplada e persistente.

Desde 2006, sucessivos episódios de El Niño vêm influenciando o clima global, em um contexto de aumento de temperatura. Mesmo quando classificados como fracos ou moderados, esses eventos têm ocorrido em um planeta mais quente, elevando o risco de extremos climáticos.

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