Formigas: pesquisas mostram estratégias para resolver problemas e tomar decisões coletivas (Freepik)
Redatora
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h26.
Os insetos têm cérebros minúsculos, mas desenvolveram estratégias sofisticadas para lidar com escolhas. Formigas, abelhas, gafanhotos, baratas e moscas usam estratégias diferentes para decidir onde ir, qual caminho seguir ou como agir diante de duas opções.
Esses comportamentos chamam a atenção de pesquisadores que estudam a tomada de decisão. Segundo estudos reunidos pela BBC, alguns desses mecanismos também inspiraram sistemas usados em áreas como logística, transporte e telecomunicações.
As formigas precisam escolher coletivamente onde procurar alimento. Para isso, algumas deixam o formigueiro e exploram diferentes trajetos. Durante os deslocamentos, elas depositam feromônios no caminho. Essas substâncias ajudam outras integrantes da colônia a identificar e seguir as rotas encontradas.
As trilhas desaparecem gradualmente porque os feromônios evaporam. Os caminhos mais eficientes, porém, são percorridos com maior frequência e acabam recebendo mais sinais químicos. Assim, a colônia tende a reforçar as rotas mais rápidas. O resultado surge da interação entre indivíduos que não precisam conhecer o funcionamento do sistema como um todo.
Esse comportamento inspirou o método conhecido como otimização por colônia de formigas. A estratégia deu origem a algoritmos aplicados a problemas de roteamento, planejamento e distribuição.
Entre os exemplos citados está o AntNET, desenvolvido pelo pesquisador Marco Dorigo para melhorar o fluxo de informações em redes de comunicação.
As abelhas enfrentam um problema diferente quando precisam encontrar um novo local para construir uma colmeia. Para fazer isso, algumas integrantes saem em busca de opções. Quando retornam, elas apresentam suas descobertas por meio da dança do requebrado. O movimento indica para as outras abelhas a direção e a distância do local encontrado.
A intensidade da dança também transmite informações sobre a qualidade da opção. Locais considerados melhores recebem uma comunicação mais intensa.
Outras abelhas podem seguir essas indicações e verificar os lugares apresentados. Depois, voltam à colmeia e também comunicam suas avaliações. Esse processo continua até que um número suficiente de abelhas passe a apoiar uma mesma opção. Então, a colônia parte para o novo local.
Mudar a opinião de um grupo dividido pode ser difícil. Um estudo conduzido pelo pesquisador Christian Yates, da University of Bath, analisou esse processo em gafanhotos migratórios.
Os pesquisadores observaram momentos em que parte dos animais parava de se mover antes de uma mudança coletiva de direção. Essa interrupção temporária reduzia o número de indivíduos que participavam ativamente da escolha. Com menos participantes mantendo uma direção, pequenas mudanças passavam a ter maior influência sobre o movimento do grupo.
O mecanismo também foi investigado em humanos. Em um experimento com 19 participantes, os voluntários podiam escolher entre duas alternativas ou permanecer neutros. Segundo o trabalho, essa possibilidade ajudou os grupos a formar e alterar consensos de maneira mais eficiente.
As diferenças individuais também podem influenciar a maneira como um grupo decide. Um estudo conduzido por Isaac Planas-Sitjà, da Tokyo Metropolitan University, analisou esse efeito em baratas. Algumas apresentam comportamento mais explorador, enquanto outras tendem a ser mais cautelosas. Os pesquisadores utilizaram simulações para comparar grupos com diferentes níveis de diversidade comportamental.
Os modelos com maior variedade de perfis apresentaram decisões coletivas mais rápidas. Já os grupos formados por indivíduos com comportamentos muito semelhantes tiveram mais dificuldade para reproduzir o padrão observado nas baratas reais.
O trabalho mostra como as diferenças entre integrantes podem alterar a dinâmica de um grupo durante a escolha de um abrigo.
As moscas-das-frutas também apresentam comportamentos que ajudam os cientistas a investigar como decisões são tomadas. Quando precisam escolher entre estímulos diferentes, esses insetos podem alterar o tempo necessário para decidir conforme a dificuldade da escolha. Quanto mais semelhantes são determinadas opções, maior pode ser a hesitação.
Dessa forma, de acordo com os estudos, fatores externos e internos influenciam esse processo. As moscas conseguem considerar características diferentes de uma recompensa antes de se aproximar de uma alternativa.
A experiência anterior e o estado fisiológico também podem modificar a disposição para assumir riscos. Assim, uma mesma situação pode produzir respostas diferentes dependendo das condições enfrentadas pelo animal.
Os exemplos mostram diferentes mecanismos envolvidos na tomada de decisão. Formigas reforçam caminhos que funcionam melhor, enquanto abelhas combinam avaliações feitas por diferentes integrantes.
Gafanhotos mostram como a neutralidade pode facilitar mudanças de consenso. Baratas ajudam a entender como a diversidade comportamental interfere na dinâmica de um grupo. As moscas, por sua vez, mostram que experiências anteriores e condições internas também podem participar das escolhas.Esses mecanismos ajudam pesquisadores a investigar como decisões coletivas podem surgir a partir da interação entre indivíduos.