Lua Azul: fenômeno raro poderá ser visto nessa semana
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de maio de 2026 às 10h21.
Maio de 2026 termina com um espetáculo raro no céu. Na noite de 30 para 31 de maio, o satélite natural da Terra atinge a fase cheia pela segunda vez no mesmo mês, fenômeno conhecido como Lua Azul.
Na mesma data, a Lua estará no ponto mais distante de sua órbita em relação à Terra, tornando-a a microlua mais afastada do ano. Para completar o cenário, ela surgirá visivelmente próxima de Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião.
O pico de iluminação ocorrerá às 5h45 (no horário de Brasília) do dia 31 de maio. Nas noites de 30 e 31, a Lua parecerá cheia e brilhante, sendo esse o período ideal para observação.
Apesar do nome, a Lua Azul não terá coloração azulada. O termo se refere à raridade do evento e, neste caso, indica a segunda lua cheia dentro de um mesmo mês do calendário, algo que costuma acontecer apenas a cada dois ou três anos.
O termo foi importado dos Estados Unidos e tem uma história mais confusa do que parece.
Originalmente, "Lua Azul" designava a terceira lua cheia de uma estação que tivesse quatro luas cheias, algo diferente da definição atual.
Em 1946, a revista especializada Sky and Telescope publicou um artigo que reinterpretou o conceito, associando-o à segunda lua cheia de um mesmo mês do calendário. A definição pegou e, a partir da década de 1980, se popularizou nos EUA e, por influência cultural, no resto do mundo.
A Lua só adquire tonalidade azulada de fato em situações atmosféricas extremas, como após grandes erupções vulcânicas ou incêndios florestais de grande escala, quando partículas em suspensão na alta atmosfera filtram a luz vermelha e deixam passar os tons mais frios.
O episódio mais famoso desse tipo ocorreu após a erupção do Krakatoa, em 1883.
A órbita da Lua em torno da Terra não é um círculo perfeito, mas uma elipse. Isso faz com que a distância entre os dois corpos varie ao longo do tempo.
Quando a lua cheia coincide com o ponto de maior afastamento da órbita o apogeu, temos uma microlua. O inverso, quando a fase cheia ocorre no ponto mais próximo o perigeu, gera a superlua.
No dia 31, a Lua estará a 406.135 km da Terra, a maior distância registrada durante uma lua cheia em 2026.
"Será a menor e menos brilhante Lua Cheia do ano", explica astrônomo Dr. Gabriel Hickel, professor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e parceiro do Observatório Nacional no programa "O Céu em Sua Casa" em nota.
Ela poderá parecer entre 12% e 14% menor do que uma superlua e cerca de 25% menos brilhante. Na prática, porém, a diferença dificilmente será notada a olho nu. "O cérebro humano funciona à base da comparação instantânea e, sem ver de forma simultânea uma superlua e uma microlua, não há como comparar", ressalta Hickel.
O evento ganha um detalhe extra com a proximidade aparente de Antares no céu.
A estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, conhecida por seu brilho avermelhado característico, estará visivelmente próxima da Lua durante a noite, criando um contraste entre o tom prateado do satélite e a cor da estrela.
O ápice da aproximação visual entre os dois ocorrerá ao final da madrugada, no momento do ocaso da Lua (quando ela está quase desaparecendo no horizonte oeste).
A janela ideal de observação começa no nascer da Lua na noite de 30 de maio.
Toda lua cheia nasce quando o Sol se põe e permanece no céu durante toda a noite, pondo-se na manhã seguinte, quando o Sol nasce.
Para fotografar o momento, especialistas recomendam buscar locais com horizonte aberto e ajustar a exposição da câmera manualmente, evitando que o brilho excessivo da Lua apague os detalhes da imagem.
"Nos momentos de nascer e ocaso da Lua, ocorre o efeito da 'ilusão lunar', que faz com que o cérebro humano interprete que o satélite parece maior do que é. São também os melhores momentos para fotos em composição com a paisagem", aponta Hickel.
O fenômeno é possível porque o ciclo lunar dura, em média, 29,5 dias, menos do que a maioria dos meses do calendário.
Quando uma lua cheia cai no início do mês, há chance de o ciclo se completar novamente antes de o mês acabar. "Em média, temos uma Lua Azul a cada dois ou três anos", explica Hickel.
O fenômeno está ligado ao chamado ciclo metônico, relação astronômica em que 235 meses lunares equivalem aproximadamente a 19 anos do calendário solar, criando periodicamente luas cheias "extras" em meses ou estações.
A próxima Lua Azul sazonal, aquela definida pela ocorrência de quatro luas cheias em uma única estação, está prevista para 20 de maio de 2027.