'Inferno' de Dante: pesquisadores associaram a queda de Satanás a um impacto semelhante ao de um asteroide (Freepik)
Redatora
Publicado em 27 de maio de 2026 às 08h03.
A obra "A Divina Comédia", de Dante Alighieri, pode esconder conceitos ligados à geologia e à física séculos antes dessas áreas serem formalmente desenvolvidas pela ciência moderna. A interpretação foi apresentada pelo pesquisador Timothy Burbery, da Marshall University, em análise repercutida pela Popular Science.
Segundo o pesquisador, trechos do “Inferno” lembram ideias modernas associadas a crateras de impacto, corpos extraterrestres e até conceitos ligados ao movimento físico.
Na interpretação de Burbery, Dante descreve a queda de Satanás na Terra de forma semelhante ao impacto de um grande objeto cósmico.
Na obra, o diabo despenca dos céus, atravessa o planeta até o núcleo e provoca mudanças na paisagem terrestre. Para o pesquisador, a descrição lembra efeitos causados por meteoritos e asteroides, como formação de crateras e alterações geológicas.
Segundo a análise, Dante trata Satanás quase como um corpo físico vindo do espaço — algo parecido com a forma como a ciência moderna interpreta colisões cósmicas.
O pesquisador destaca ainda que a origem extraterrestre dos meteoritos só foi comprovada cientificamente séculos depois, em 1803.
Outro trecho analisado envolve o momento em que Dante e Virgílio atravessam partes do Inferno montados na criatura Gerião.
Durante o voo, o personagem afirma não perceber o movimento da viagem. Para Burbery, isso lembra o conceito de “referencial inercial”, utilizado pela física para explicar por que objetos em movimento constante podem parecer parados para quem está dentro do sistema.
Embora Dante não tivesse conhecimento da física moderna, o pesquisador afirma que o autor demonstrava uma percepção intuitiva sobre movimento e espaço físico.
A análise também destaca que Dante demonstrava interesse por terremotos, deslizamentos de terra e outros fenômenos naturais, frequentemente citados em "A Divina Comédia".
Na Idade Média, predominava a visão aristotélica de que os céus eram imutáveis e que meteoros eram apenas fenômenos atmosféricos próximos da Terra — não objetos vindos do espaço.
Mesmo assim, segundo Burbery, o autor acabou descrevendo eventos que hoje lembram interpretações modernas da ciência planetária. O pesquisador pretende publicar futuramente um artigo científico completo sobre o tema.