Ciência

Peste pneumônica: o que se sabe sobre a doença que matou pesquisadora e o risco de epidemia

Caso na Sibéria levou quase 200 pessoas a ficarem sob observação, provocou medidas de quarentena e passou a ser acompanhado por autoridades internacionais

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 7 de outubro de 2026 às 11h56.

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu que a Rússia divulgue mais informações sobre a morte de Darya Shipilova, de 28 anos, após relatos de quarentenas na Sibéria desde sexta-feira, 2 de outubro. A funcionária trabalhava no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, centro de pesquisa especializado em peste, mas autoridades russas negaram vínculo entre a morte e suas atividades profissionais.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu que a Rússia divulgue mais informações sobre a morte de uma funcionária de um centro de pesquisa especializado em peste na Sibéria. O caso passou a ser acompanhado por autoridades internacionais após relatos sobre quarentenas e medidas sanitárias na região de Irkutsk.

"Acredito que cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo", disse Rubio a jornalistas. "Estamos acompanhando a situação bem de perto, hora a hora."

A funcionária, identificada pela imprensa russa como Darya Shipilova, tinha 28 anos e trabalhava no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente. Autoridades russas chegaram a relacionar a morte à peste, mas posteriormente negaram que exames tenham identificado microrganismos associados às atividades profissionais da mulher.

Os primeiros relatos sobre o episódio surgiram na sexta-feira, 2 de outubro, quando informações indicaram que quase 200 pessoas estavam sob observação na região de Irkutsk, na Sibéria.

Shipilova teria adoecido alguns dias antes. Ela foi hospitalizada no fim de setembro e morreu três dias depois, em Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk.

Relatos apontam que a morte ocorreu na noite de 2 de outubro, informação que não foi confirmada pela BBC. As autoridades locais também não confirmaram que o caso tenha relação com um possível contágio por peste.

Quarentena e monitoramento de contatos

Após a morte, o hospital onde Shipilova recebeu atendimento foi colocado em quarentena. Uma fábrica de alumínio da região determinou o uso de máscaras, enquanto um evento público previsto para ocorrer em Irkutsk foi cancelado.

No dia 2, o governador de Irkutsk, Igor Kobzev, informou que Anna Popova, principal médica sanitarista da Rússia e diretora da Rospotrebnadzor, o Serviço Federal de Supervisão de Defesa do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia, havia chegado à região.

Popova participaria de uma reunião de emergência da comissão regional responsável por saúde e combate a epidemias. O encontro teria sido convocado para discutir o que as autoridades descreveram como "um caso suspeito de uma infecção especialmente perigosa".

Kobzev afirmou que pessoas que tiveram contato com Shipilova estavam sob acompanhamento. Segundo o jornal Izvestia, cerca de 197 pessoas foram colocadas sob observação médica.

O jornal britânico The Guardian informou que a morte levou integrantes do governo federal responsáveis pela área de saúde a intervir no caso.

No mesmo dia, o governador da Buriácia, região vizinha, afirmou que Shipilova havia morrido de peste. A declaração passou a alimentar especulações sobre um possível vazamento no Instituto Antipeste.

Um relato não confirmado de um jornalista local afirmou que a funcionária teria adoecido depois de quebrar um tubo de ensaio. Outras informações sem confirmação indicaram que o recipiente poderia conter o patógeno ou que Shipilova teria sido infectada após participar de uma expedição a uma área onde a peste circula naturalmente entre roedores.

Também houve relatos de que a funcionária havia visitado recentemente a Buriácia, região russa que faz fronteira com a Mongólia.

Autoridades russas mudam versão sobre o caso

Após as declarações iniciais, a Rospotrebnadzor afirmou que a funcionária morreu de pneumonia de origem indeterminada. Segundo o órgão, os exames não encontraram "nenhum microrganismo relacionado às suas atividades profissionais".

O governador de Irkutsk apresentou a mesma versão e declarou que não foram encontrados "microrganismos" relacionados ao trabalho da funcionária em suas "amostras biológicas".

Kobzev também pediu calma à população.

"Todos os contatos identificados foram colocados sob observação médica. Até o momento, nenhum apresenta sintomas".

'Perguntas frequentes'

Quem era Darya Shipilova? +

Darya Shipilova tinha 28 anos e trabalhava no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, centro de pesquisa especializado em peste. Ela foi hospitalizada no fim de setembro e morreu três dias depois, em Shelekhov, perto de Irkutsk.

O que Marco Rubio disse sobre a morte de Darya Shipilova? +

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que cabe à Rússia compartilhar mais informações sobre o caso. Rubio disse ainda que as autoridades americanas acompanhavam a situação de perto, hora a hora.

Darya Shipilova morreu de peste? +

Não há confirmação de que Darya Shipilova tenha morrido de peste. Embora o governador da Buriácia tenha atribuído a morte à doença, a Rospotrebnadzor afirmou depois que a causa foi uma pneumonia de origem indeterminada e que os exames não detectaram microrganismos relacionados às atividades profissionais da funcionária.

Quantas pessoas ficaram sob observação médica em Irkutsk? +

Cerca de 197 pessoas foram colocadas sob observação médica, segundo o jornal Izvestia. O governador de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que os contatos identificados de Darya Shipilova estavam sob acompanhamento.

Quais medidas foram adotadas após a morte da funcionária? +

O hospital onde Darya Shipilova foi atendida entrou em quarentena, uma fábrica de alumínio determinou o uso de máscaras e um evento público em Irkutsk foi cancelado. Anna Popova, diretora da Rospotrebnadzor, também foi à região para uma reunião de emergência sobre o caso suspeito de uma infecção especialmente perigosa.

Houve vazamento no Instituto Antipeste da Sibéria? +

Não há confirmação de vazamento no Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente. Relatos não confirmados disseram que Darya Shipilova teria quebrado um tubo de ensaio ou contraído a infecção durante uma expedição, mas as autoridades russas negaram que os exames tenham encontrado microrganismos ligados ao trabalho da funcionária.

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