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Os sinais precoces do Parkinson que muita gente ignora, segundo Harvard

Alterações discretas no corpo podem ser os primeiros alertas da doença

Parkinson: especialistas apontam que reconhecer sintomas sutis pode ajudar a retardar o impacto da doença (LPETTET/Getty Images)

Parkinson: especialistas apontam que reconhecer sintomas sutis pode ajudar a retardar o impacto da doença (LPETTET/Getty Images)

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 10h51.

Reconhecer os primeiros sinais da doença de Parkinson pode fazer diferença direta no controle dos sintomas e na qualidade de vida. Embora o distúrbio neurológico seja progressivo e frequentemente associado ao envelhecimento, especialistas alertam que mudanças sutis no corpo podem surgir anos antes do diagnóstico formal.

Segundo David K. Simon, diretor do Centro de Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento do Beth Israel Deaconess Medical Center, hospital afiliado à Universidade Harvard, em publicação no Harvard Health Publishing, muitos pacientes demoram a procurar ajuda por acreditarem que os sintomas fazem parte do envelhecimento natural.

De acordo com dados da Parkinson’s Foundation, mais de 1,1 milhão de pessoas vivem com a doença nos Estados Unidos. No Brasil, estima-se que ao menos 200 mil pessoas receberam o diagnóstico.

O que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico progressivo que afeta células nervosas produtoras de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos.

A redução desse neurotransmissor compromete a comunicação entre as células do cérebro, levando a alterações motoras e não motoras ao longo do tempo.

Principais sinais motores precoces do Parkinson

Os sintomas motores costumam aparecer de forma gradual e podem ser confundidos com alterações comuns da idade. Entre os sinais iniciais mais frequentes estão:

  • Tremor em repouso, geralmente em uma das mãos, que pode surgir de forma intermitente
  • Lentidão dos movimentos, tornando tarefas simples mais demoradas
  • Mudanças na marcha, como passos arrastados e menor balanço dos braços ao caminhar
  • Rigidez muscular persistente, que não melhora com o movimento
  • Dificuldade para se levantar, sair do carro ou iniciar movimentos

Segundo Simon, nem todos os pacientes apresentam tremor, o que reforça a importância de observar o conjunto de sintomas.

Sintomas não motores que podem surgir antes do diagnóstico

Embora o Parkinson seja conhecido como um distúrbio do movimento, sinais não motores podem aparecer muitos anos antes das alterações físicas. Entre eles estão:

  • Perda do olfato, relatada até uma década antes dos sintomas motores
  • Distúrbios do sono, especialmente o transtorno comportamental do sono REM, no qual a pessoa se movimenta durante os sonhos
  • Ansiedade e depressão, frequentemente subestimadas
  • Alterações na voz, que pode ficar mais baixa ou monótona
  • Redução da expressão facial, conhecida como “mascaramento facial”
  • Constipação intestinal persistente, associada ao envolvimento do sistema nervoso digestivo

De acordo com o especialista de Harvard, a combinação de alguns desses sinais aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

Quando procurar um médico

Não existe um único sintoma considerado definitivo para o diagnóstico precoce do Parkinson. No entanto, a orientação médica deve ser buscada quando os sinais persistem, se intensificam ou começam a afetar a rotina diária.

O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação dos sintomas, mas exames de imagem podem ser solicitados em casos atípicos ou muito iniciais.

Tratamento precoce melhora qualidade de vida

Embora ainda não exista cura para a doença de Parkinson, o tratamento adequado pode controlar os sintomas por longos períodos.

O uso de medicamentos que repõem ou imitam a dopamina é o pilar da terapia, associado a estratégias não farmacológicas.

Especialistas destacam que atividade física regular, fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico ajudam a preservar a autonomia e o bem-estar dos pacientes desde os estágios iniciais.

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