Ciência

O lado saudável do chá — e o perigo das versões adoçadas

Revisão aponta benefícios para saúde cardiovascular, controle do diabetes e proteção cognitiva, mas alerta para riscos em versões industrializadas

 (Imagem gerada por IA/Exame)

(Imagem gerada por IA/Exame)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 09h16.

O consumo regular de chá, especialmente o chá verde, pode contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alguns tipos de câncer, segundo uma revisão publicada na revista Beverage Plant Research.

O estudo foi conduzido por Mingchuan Yang e Li Zhou, do Instituto de Pesquisa do Chá da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, e avaliou evidências experimentais e estudos com seres humanos sobre os efeitos da bebida na saúde.

Benefícios para o coração e o metabolismo

A revisão destaca que o chá verde apresenta efeitos protetores para o sistema cardiovascular, incluindo redução da pressão arterial e melhora dos níveis de colesterol.

Estudos de coorte analisados pelos pesquisadores também indicaram que o consumo regular de chá está associado à redução do risco de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares e determinados tipos de câncer.

Os autores também encontraram evidências de que as catequinas presentes no chá verde podem auxiliar no controle do peso corporal e na melhora de parâmetros metabólicos em pessoas com obesidade.

Segundo a revisão, esses compostos também demonstram potencial para ajudar no controle do diabetes.

Proteção do cérebro e da massa muscular

Os pesquisadores identificaram benefícios potenciais para a saúde cerebral, especialmente entre idosos.

Estudos incluídos na análise mostraram que consumidores regulares de chá apresentaram menor prevalência de declínio cognitivo e de biomarcadores associados à doença de Alzheimer.

A revisão também aponta que as catequinas do chá podem contribuir para a preservação da massa muscular em pessoas mais velhas, ajudando a melhorar força muscular e desempenho físico.

Atividades anti-inflamatória e antimicrobiana

Além dos efeitos cardiovasculares e metabólicos, o estudo destaca propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas associadas ao consumo de chá.

Os autores afirmam que esses efeitos reforçam o potencial da bebida como componente de uma estratégia de promoção da saúde.

Os riscos dos chás industrializados

Apesar dos benefícios observados, a revisão alerta para diferenças importantes entre o chá tradicional e versões industrializadas.

Produtos como chá engarrafado e bubble tea frequentemente contêm açúcar, adoçantes artificiais e conservantes, ingredientes que podem reduzir ou até neutralizar parte dos efeitos positivos associados ao consumo da bebida.

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Segundo os pesquisadores, o consumo desses produtos deve ocorrer com moderação.

Contaminantes e absorção de nutrientes

O estudo também menciona preocupações relacionadas à presença de resíduos de pesticidas, metais pesados e microplásticos em alguns produtos à base de chá.

Embora os autores afirmem que esses contaminantes não representam riscos significativos em níveis normais de consumo, eles observam que a exposição de longo prazo entre consumidores frequentes ainda exige investigação.

Outro ponto destacado é a possível interferência do chá na absorção de nutrientes, especialmente ferro não-heme e cálcio, o que pode afetar pessoas com dietas vegetarianas ou necessidades nutricionais específicas.

O que os pesquisadores recomendam

A conclusão da revisão é que o consumo moderado de chá preparado de forma tradicional pode trazer benefícios à saúde, principalmente na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer.

Os autores defendem novos estudos para avaliar os efeitos de longo prazo dos diferentes tipos de chá, incluindo chá preto, branco e oolong, além de aprofundar a análise sobre contaminantes presentes em produtos comercializados.

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