Ciência

Novo 'rival' da cafeína promete energia mais estável — mas funciona?

Paraxantina ganha espaço em bebidas, enquanto ciência ainda testa seus efeitos

Paraxantina: o estimulante que pode desafiar a cafeína (Freepik/Freepik)

Paraxantina: o estimulante que pode desafiar a cafeína (Freepik/Freepik)

Publicado em 24 de março de 2026 às 14h25.

A paraxantina, substância produzida pelo corpo ao metabolizar a cafeína, começa a ganhar espaço em bebidas energéticas e até em produtos à base de café como uma possível alternativa ao estimulante mais consumido do mundo. A promessa é que o composto pode oferecer energia mais estável, com foco prolongado e menos efeitos colaterais, como tremores ou queda brusca de disposição.

De acordo com estudo publicado no The Conversation, apesar do interesse crescente da indústria, as evidências científicas sobre o uso direto da substância ainda são limitadas.

O que é a paraxantina e como age no corpo?

A paraxantina é o principal metabólito da cafeína — ou seja, uma das substâncias geradas quando o organismo processa o café.

Assim como a cafeína, o composto atua bloqueando a adenosina, um mensageiro químico do cérebro responsável por induzir o sono. Com essa ação, o corpo se mantém em estado de alerta por mais tempo.

Estudos iniciais indicam que a substância pode melhorar atenção, tempo de reação e memória de curto prazo, com efeitos que podem durar várias horas após o consumo.

Paraxantina pode substituir a cafeína?

A hipótese de substituir a cafeína pela paraxantina se baseia na ideia de que o composto seria responsável por boa parte dos efeitos estimulantes, mas com menos efeitos indesejáveis. Algumas pesquisas sugerem que a paraxantina pode até superar a cafeína em desempenho cognitivo em determinadas situações, como após exercícios físicos.

Apesar disso, os dados ainda são limitados. A maioria dos estudos envolve grupos pequenos e condições controladas, o que impede conclusões definitivas sobre seu uso no dia a dia.

Segurança ainda é o principal ponto de atenção

Um dos maiores desafios para a adoção da paraxantina é a falta de estudos de longo prazo em humanos. Embora testes iniciais indiquem que a paraxantina é bem tolerada em curto prazo, a maior parte das pesquisas foi realizada com animais ou em estudos pequenos com humanos.

Órgãos reguladores, sobretudo na Europa, ainda avaliam a substância como um “novo alimento”. Até o momento, não há dados robustos sobre os efeitos do uso prolongado ou em altas doses.

Além disso, o estudo destacou ainda que produtos com paraxantina costumam ser divulgados como fontes de energia “mais limpa” ou “mais suave", mas esses termos ainda não têm definição científica.

O que considerar antes de consumir

Na prática, especialistas recomendam cautela. Como a paraxantina atua de forma semelhante à cafeína, deve ser consumida com os mesmos cuidados.

  • Evitar altas doses;
  • Não consumir próximo ao horário de dormir;
  • Evitar combinação com outros estimulantes;
  • Considerar o impacto no sono e na saúde.

Até que haja mais evidências, a recomendação é tratar a paraxantina como um estimulante em fase de estudo.

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