Redatora
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h07.
Cientistas identificaram a maior molécula orgânica contendo enxofre já detectada no espaço interestelar, um achado que ajuda a explicar a origem da vida. A descoberta foi descrita em um estudo publicado na revista científica Nature Astronomy.
A molécula possui 13 átomos e contém enxofre, carbono e hidrogênio. O elemento é essencial para aminoácidos, proteínas e enzimas na Terra.
Segundo os pesquisadores, a detecção preenche uma lacuna entre moléculas simples do espaço e compostos complexos encontrados em meteoritos e cometas.
O enxofre é um dos elementos mais abundantes do universo. Apesar disso, moléculas grandes com esse elemento eram raras no espaço interestelar.
Antes da descoberta, a maior molécula desse tipo tinha apenas nove átomos. A maioria possuía entre três e cinco.
Os cientistas acreditam que parte do enxofre pode estar presa em gelo cósmico. Isso dificultaria sua detecção por telescópios.
A molécula foi identificada em uma nuvem molecular chamada G+0,693–0,027. A região fica a cerca de 27 mil anos-luz da Terra, próxima ao centro da Via Láctea.
Nuvens moleculares são áreas frias e densas de poeira e gás. Elas funcionam como berçários estelares, onde novas estrelas se formam. Segundo os pesquisadores, os ingredientes dessas nuvens podem ser transferidos para planetas em formação.
A equipe sintetizou a molécula em laboratório usando uma descarga elétrica. Em seguida, obteve sua “impressão digital de rádio”, usada como referência.
Os dados foram comparados com observações feitas pelos radiotelescópios IRAM-30m e Yebes, na Espanha. Esses telescópios já haviam identificado abundância de compostos com enxofre na nuvem analisada.
Os pesquisadores afirmam que moléculas complexas podem ter chegado à Terra por meio de cometas e meteoritos. Esses corpos teriam transportado compostos essenciais à vida primitiva.
Especialistas que não participaram do estudo destacam a importância da descoberta. Ela sugere que materiais biologicamente relevantes podem estar distribuídos por toda a galáxia.
A presença dessas moléculas fora do Sistema Solar indica que processos semelhantes podem ocorrer em outros lugares do universo.
Há décadas, acreditava-se que moléculas grandes não resistiriam ao ambiente espacial. Observações recentes mostram o contrário. Os telescópios modernos revelam uma química rica e diversificada no espaço profundo.
Os cientistas afirmam que novas moléculas, possivelmente ainda maiores, podem ser detectadas no futuro.