Cachalotes: cientistas registram cabeçadas entre baleias pela primeira vez (Marine Mammal Science)
Redatora
Publicado em 10 de abril de 2026 às 07h14.
Cientistas registraram pela primeira vez baleias cachalotes desferindo cabeçadas umas nas outras. O comportamento foi captado por drones no mar e, até então, aparecia apenas em relatos históricos de marinheiros.
A descoberta ocorreu nos arquipélagos dos Açores e das Baleares e foi publicada na revista científica Marine Mammal Science. O registro confirma um comportamento que vinha sendo debatido há décadas pela biologia marinha - e que também aparece em narrativas como Moby Dick, de Herman Melville.
As filmagens ocorreram de forma inesperada durante o monitoramento dos animais. As equipes analisavam o tamanho corporal e hábitos da espécie Physeter macrocephalus quando os episódios aconteceram.
Os drones estavam em operação no momento das interações, o que permitiu capturar as imagens em tempo real. Segundo o pesquisador Alec Burslem, o comportamento já era discutido há muito tempo, mas não havia sido confirmado cientificamente.
De acordo com o artigo, os registros mostram três situações distintas. Em uma delas, não foi possível identificar o sexo dos indivíduos. Em outra, dois machos jovens trocam golpes entre si. No terceiro caso, um macho atinge uma fêmea na região do tronco, logo abaixo do pescoço.
Ainda não há uma explicação definitiva para esse comportamento. Os dados disponíveis não permitem determinar a função exata dos golpes.
Os pesquisadores afirmam que os ataques não apresentaram padrão associado à exibição sexual, como ocorreria em disputas por acasalamento.
Os cachalotes possuem um órgão na cabeça preenchido por uma substância cerosa, conhecida como espermacete, que ocupa parte significativa do corpo.
Alguns dos golpes registrados apresentaram força considerável. Segundo os pesquisadores, ainda não há dados suficientes para avaliar possíveis danos, mas o comportamento indica que os animais utilizam a cabeça nesses contatos.
O uso de drones tem ampliado a observação de cetáceos. Os equipamentos permitem registrar comportamentos difíceis de observar a partir de embarcações.
Além das imagens, os dispositivos também podem coletar amostras do sopro das baleias, que ajudam a analisar hormônios, microrganismos e outras informações sobre os animais.