Ciência

Bola de fogo cruza o céu da Europa e intriga cientistas

Fenômeno ocorreu no início da noite do último domingo, 8, e gerou relatos de destroços após a bola de fogo se fragmentar na atmosfera

Meteoro 'bola de fogo' surpreende ao iluminar o céu de cinco países (Reprodução/Instagram @profjung)

Meteoro 'bola de fogo' surpreende ao iluminar o céu de cinco países (Reprodução/Instagram @profjung)

Publicado em 11 de março de 2026 às 12h01.

Última atualização em 11 de março de 2026 às 13h30.

Um meteoro cruzou o céu de vários países da Europa no início da noite do último domingo, 8, e pode ter atingido uma casa na Alemanha. O fenômeno foi observado por moradores da Bélgica, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda e está sendo investigado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

O objeto luminoso foi visto por volta das 18h55 no horário da Europa Central (17h55 UTC) e permaneceu visível no céu por cerca de seis segundos, deixando um rastro brilhante antes de se fragmentar durante sua passagem pela atmosfera.

O evento foi registrado por diversas câmeras especializadas em monitoramento de meteoros, incluindo equipamentos da rede europeia AllSky7, além de celulares e outras câmeras utilizadas por observadores. Algumas pessoas também relataram ter ouvido o fenômeno a partir do solo.

Na cidade alemã de Koblenz-Güls, fragmentos que podem ter se desprendido do meteoro teriam atingido uma casa e causado danos à residência. Não há relatos de feridos.

Objetos espaciais atingem a Terra com frequência

De acordo com a equipe de Defesa Planetária do Programa de Segurança Espacial da ESA, análises preliminares indicam que o objeto possuía até alguns metros de diâmetro antes de entrar na atmosfera terrestre.

A agência utiliza imagens e dados coletados por diferentes sistemas de observação para reconstruir a trajetória do meteoro e estimar suas características.

Eventos desse tipo não são considerados raros. Segundo a ESA, objetos espaciais desse tamanho podem atingir a Terra de algumas semanas a alguns anos.

Embora milhares de pequenas rochas espaciais entrem na atmosfera do planeta todos os dias, a maioria se desintegra antes de alcançar o solo.

Impactos maiores são raros, mas podem ser perigosos

Quando objetos maiores entram na atmosfera, o evento pode gerar fenômenos dramáticos. Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 2013, quando um asteroide explodiu sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia.

Na ocasião, o objeto se fragmentou a cerca de 24 quilômetros de altitude, gerando uma onda de choque equivalente a aproximadamente 500 quilotons de explosivos e deixando cerca de 1.600 pessoas feridas, principalmente por estilhaços de vidro.

Eventos muito mais destrutivos, capazes de alterar o clima do planeta, são extremamente raros. O impacto mais famoso ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, quando um asteroide com mais de 9 quilômetros de diâmetro atingiu a Terra e está associado à extinção dos dinossauros.

Detectar meteoros ainda é um grande desafio

Apesar do avanço da tecnologia, prever a chegada de meteoros ainda é extremamente difícil. Até hoje, os astrônomos conseguiram detectar objetos naturais antes da entrada na atmosfera em apenas 11 ocasiões.

Isso ocorre porque muitos desses corpos são relativamente pequenos e podem se aproximar da Terra a partir de regiões do céu iluminadas pelo Sol, o que dificulta sua observação por telescópios.

Para melhorar o monitoramento desses objetos, a ESA trabalha no desenvolvimento de novos sistemas de detecção, como o telescópio Flyeye, projetado para ampliar a capacidade de identificar asteroides antes que se aproximem do planeta.

Novas informações sobre o meteoro observado na Europa devem ser divulgadas pela agência espacial à medida que a análise dos dados continuar.

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