Cavalo: pesquisa mostra que cavalos reagem a odores emocionais liberados por humanos com medo, afetando seu comportamento e níveis de estresse
Redatora
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 12h59.
Os cavalos conseguem detectar emoções humanas por meio do olfato. É o que apontou um estudo publicado no periódico científico PLOS One. A análise demonstrou que os animais se tornam mais cautelosos e reagem com mais medo quando expostos a compostos corporais produzidos por pessoas em estado de estresse emocional.
O estudo foi realizado pelo Instituto Francês do Cavalo e da Equitação (IFCE), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola, Alimentar e Ambiental da França (INRAE). Para a pesquisa, a equipe coletou amostras de suor das axilas de participantes humanos enquanto assistiam a vídeos com diferentes cargas emocionais: medo, alegria e neutralidade.
Para captar os compostos odoríferos, os pesquisadores colocaram discos de algodão nas axilas dos voluntários durante a exibição dos vídeos. As almofadas foram então congeladas para preservar os odores e, posteriormente, posicionadas nas narinas de 43 éguas usando redes específicas, evitando contaminações.
Durante os testes, os cavalos foram observados em situações controladas, como a aproximação de humanos e a reação à abertura súbita de um guarda-chuva. Também foram monitorados parâmetros fisiológicos, como a frequência cardíaca e os níveis de cortisol na saliva — hormônio associado ao estresse.
Os resultados indicaram que os cavalos expostos ao suor de pessoas em estado de medo apresentaram maior estado de alerta, evitavam contato com humanos e demonstravam resistência a explorar novos objetos.
De acordo com a pesquisadora Plotine Jardat, principal autora da pesquisa, os sinais químicos emitidos pelos humanos influenciaram diretamente o comportamento dos animais.
A coautora Léa Lansade avaliou que os resultados reforçam a existência de contágio emocional entre espécies. Segundo a especialista, o estado emocional dos cuidadores pode afetar diretamente a forma como os cavalos se comportam durante o manejo, tornando essencial o controle emocional por parte dos humanos nesses contextos.
Lansade acrescentou que, embora os odores emocionais não possam ser controlados conscientemente, manter a calma pode reduzir os efeitos indesejados nas interações com os animais.
A próxima etapa do estudo pretende investigar se os humanos também são sensíveis a sinais químicos produzidos por cavalos, além de avaliar se a comunicação via olfato se limita ao medo ou abrange outras emoções, como tristeza e nojo.
Gemma Pearson, médica veterinária e pesquisadora em comportamento equino na Royal (Dick) School of Veterinary Studies, na Escócia, destacou que os cavalos utilizam múltiplos sentidos para interpretar o ambiente e que o olfato é uma ferramenta importante nesse processo.
Pearson acrescentou ainda que os cavalos não se baseiam apenas no cheiro para perceber o medo humano, mas integram diferentes estímulos sensoriais ao tomar decisões sobre o nível de ameaça.