(Bruno Faiotto/Exame)
Editora do Future of Money
Publicado em 26 de maio de 2026 às 09h57.
Nesta terça-feira, 26, o bitcoin segue negociado em US$ 77 mil, com pouca variação de preço nas últimas 24 horas. Apesar de ter sinalizado uma recuperação nos últimos dias com expectativas positivas para o cenário macroeconômico e geopolítico, a maior criptomoeda do mundo pode ter "perdido força" no curto prazo, segundo um especialista da Bitget.
No momento, o bitcoin é cotado a US$ 77.013, com queda de 0,3% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos trinta dias, a criptomoeda apresenta queda de apenas 1%, confirmando o cenário de lateralidade.
O Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado cripto, ainda sinaliza "medo", mas subiu para 34 pontos.
"Após duas semanas de correção, o bitcoin parece ter encontrado uma zona de estabilização em torno dos US$ 77 mil, depois de cair mais de 6% desde o pico de US$ 83 mil registrado no início de maio. A recuperação observada nos últimos dias foi impulsionada por um sentimento mais positivo nos mercados globais, especialmente diante das expectativas de um possível acordo de paz entre EUA e Irã, além de sinais de maior adoção institucional de derivativos ligados a criptomoedas", disse Gil Herrera, diretor de estratégia e expansão da Bitget na América Latina.
"Ao mesmo tempo, o mercado ainda enfrenta fatores que limitam uma retomada mais forte no curto prazo. A saída líquida de US$ 1,26 bilhão dos ETFs à vista de bitcoin na última semana mostra que parte dos investidores segue adotando uma postura mais cautelosa, principalmente diante da expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos sob a liderança de Kevin Warsh no Federal Reserve. Esse ambiente tende a reduzir o apetite por ativos de maior risco", acrescentou.
Gil Herrera apontou os motivos que podem explicar a perda de força do bitcoin, que se mantém negociado "de lado" próximo de US$ 77 mil:
"Um fator que ajuda a explicar a perda de força do BTC no curto prazo é a migração de capital especulativo para ações ligadas ao setor de inteligência artificial e semicondutores, que vêm atraindo grande parte da atenção dos investidores globais nos últimos meses. Esse movimento acaba reduzindo parte da liquidez e do fluxo mais agressivo que normalmente impulsiona o mercado cripto em momentos de maior apetite ao risco", disse.
"Mesmo assim, alguns indicadores on-chain continuam apontando para um cenário construtivo no médio e longo prazo. O número de carteiras com pelo menos 100 BTC cresceu mais de 11% em relação ao ano passado, indicando que grandes investidores e instituições seguem acumulando posições mesmo em momentos de volatilidade. Isso reforça a percepção de que, apesar das oscilações de curto prazo, o interesse estrutural pelo bitcoin permanece forte", acrescentou.
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