Ciência

Gene pode explicar até 90% dos casos de Alzheimer

Pesquisadores avaliam que intervenções no gene APOE podem reduzir o risco de Alzheimer e abrir caminho para novos tratamentos neurodegenerativos

Alzheimer: resultados sugerem que variantes do APOE podem explicar grande parte dos casos de Alzheimer e demência (krisanapong detraphiphat/Getty Images)

Alzheimer: resultados sugerem que variantes do APOE podem explicar grande parte dos casos de Alzheimer e demência (krisanapong detraphiphat/Getty Images)

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 06h39.

A doença de Alzheimer tem uma ligação genética muito mais profunda do que a ciência acreditava anteriormente. Um novo estudo da University College London (UCL) indica que o gene APOE pode estar associado entre 72% e 93% dos casos de diagnósticos. A pesquisa, publicada na revista npj Dementia, revisa o entendimento sobre os mecanismos que levam à doença neurodegenerativa.

Os cientistas analisaram dados de 450 mil participantes em quatro grandes estudos globais. Eles concluíram que a maioria dos casos de Alzheimer não ocorreria sem a influência deste gene. O impacto do gene APOE também se estende a outras formas de demência, atingindo cerca de 45% dos diagnósticos.

Historicamente, apenas a variante ε4 era considerada um fator de risco elevado para o cérebro. Entretanto, os pesquisadores descobriram que a variante ε3 também contribui para a carga da doença. Antes vista como neutra, essa forma genética agora é alvo de novas investigações científicas. A variante ε2, por sua vez, foi associada a um risco menor.

O gene APOE causa Alzheimer e demência sempre?

Embora o componente genético seja predominante, ele não atua de forma isolada no organismo. Mesmo indivíduos com alto risco hereditário podem não manifestar sintomas durante a vida. A interação entre fatores genéticos e ambientais define o surgimento da condição. Estilos de vida saudáveis ajudam a mitigar a vulnerabilidade herdada dos pais.

A variante ε4 prejudica a limpeza da proteína beta-amiloide, que forma placas nos neurônios. Esse processo gera inflamação e compromete o metabolismo energético das células cerebrais. Em contrapartida, a variante ε2 foi identificada como um fator de proteção contra o Alzheimer.

Fatores que influenciam o risco genético identificado:

  • Fatores modificáveis: controle do colesterol e da pressão arterial pode retardar sintomas
  • Hábitos: tabagismo e isolamento social são apontados como agravantes
  • Interações genéticas: outros genes podem influenciar o risco ao longo da vida

Além de redefinir o papel do APOE no Alzheimer, o estudo também abre novas perspectivas terapêuticas. Intervenções na via molecular do APOE podem ter potencial preventivo, já que parte substancial dos casos estaria associada ao gene. Pesquisadores afirmam que o APOE deve ganhar prioridade nas pesquisas biomédicas, sobretudo em terapias gênicas e no desenvolvimento de novos medicamentos direcionados às variantes ε3 e ε4.

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