Gatos: animais soltos podem atrapalhar o meio-ambiente (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter
Publicado em 9 de julho de 2026 às 19h01.
Os gatos podem representar uma ameaça maior à biodiversidade do que aparentam. Uma revisão de 533 estudos identificou que felinos domésticos que vivem soltos já foram registrados consumindo quase 2.100 espécies de animais, incluindo aves, mamíferos, répteis, besouros, aranhas e até espécies ameaçadas de extinção.
O novo levantamento, publicado na The Conversation, mostra que pelo menos 7% das espécies consumidas por gatos são insetos e outros invertebrados, um grupo frequentemente ignorado nas pesquisas sobre o impacto desses animais na fauna silvestre.
Ao longo de mais de um século de estudos, os pesquisadores encontraram registros de gatos consumindo 148 espécies de invertebrados, principalmente besouros. A lista também inclui aranhas, centopeias, crustáceos, caracóis, lesmas e piolhos-de-cobra.
Entre essas espécies estão o gafanhoto-da-ilha-de-Aldabra (Pternoscirtus aldabrae), das Seychelles, e o lagostim-gigante-da-Tasmânia (Astacopsis gouldi), classificados como ameaçados de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Outras espécies consideradas vulneráveis também aparecem na dieta dos gatos, como o wētāpunga, um inseto nativo da Nova Zelândia, e o lagostim-de-água-doce Cherax destructor, encontrado na Austrália.
Os autores afirmam que ainda não existem pesquisas capazes de medir quanto a predação de insetos por gatos afeta suas populações. Em muitos casos, fatores como destruição de habitat, uso de pesticidas, poluição luminosa e mudanças climáticas continuam sendo ameaças mais importantes.
Mesmo assim, os pesquisadores alertam que os gatos podem exercer um impacto significativo em espécies raras ou em ambientes isolados, como ilhas, onde pequenas populações são mais vulneráveis à predação.
O levantamento também mostra que, das quase 2.100 espécies registradas na dieta dos gatos, 347 são classificadas pela IUCN como quase ameaçadas, vulneráveis, ameaçadas, criticamente ameaçadas ou extintas.
Segundo os pesquisadores, uma das dificuldades para entender o impacto dos gatos sobre insetos é que muitos desses animais possuem corpos pequenos e moles, o que dificulta sua identificação em fezes ou no conteúdo estomacal dos felinos.
Com o avanço de técnicas de análise de DNA, cientistas esperam identificar com mais precisão quais espécies fazem parte da dieta dos gatos e avaliar melhor seus efeitos sobre a biodiversidade.