Terra: placas tectônicas antigas podem estar deformando o manto profundo do planeta, a milhares de quilômetros abaixo da superfície. (Nasa)
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Publicado em 25 de abril de 2026 às 07h45.
Cientistas identificaram que forças profundas estão deformando o interior da Terra a quase 3 mil quilômetros abaixo da superfície. As descobertas apontam para placas tectônicas antigas, enterradas a grandes profundidades, como as principais responsáveis pelo fenômeno.
O estudo foi publicado na revista The Seismic Record e apresentado pela Sociedade Sismológica da América. Os resultados oferecem a primeira visão global de como o manto inferior se deforma ao longo do tempo.
Abaixo da crosta terrestre, o manto é composto por material quente e denso que se movimenta lentamente por meio de correntes de convecção. Esses fluxos não apenas movimentam as placas tectônicas na superfície, mas também distorcem o próprio material nas camadas mais profundas.
Os pesquisadores descobriram que grande parte dessa deformação ocorre justamente em regiões onde placas tectônicas antigas foram empurradas para o interior do planeta ao longo de milhões de anos — um processo conhecido como subducção.
Para mapear essas mudanças, a equipe analisou ondas sísmicas geradas por terremotos. Esses sinais atravessam o interior da Terra e variam de velocidade dependendo da direção e do tipo de material que encontram.
Esse fenômeno, chamado anisotropia sísmica, permite identificar áreas onde o manto foi deformado. Ao estudar esses padrões, os cientistas conseguem reconstruir como o interior do planeta se movimenta ao longo do tempo.
O estudo analisou cerca de 75% do manto inferior, localizado próximo ao limite com o núcleo terrestre. Para isso, os pesquisadores utilizaram mais de 16 milhões de registros sísmicos coletados em centros de dados ao redor do mundo.
Os resultados mostraram sinais de deformação em aproximadamente dois terços das regiões estudadas. Em grande parte desses locais, há evidências da presença de placas tectônicas antigas que continuam afetando a dinâmica interna da Terra.
Segundo os cientistas, essas placas podem manter características estruturais antigas ou sofrer novas transformações ao afundarem no manto.
A hipótese mais provável é que, ao descerem, essas placas interajam com o limite entre o núcleo e o manto, submetidas a condições extremas de pressão e temperatura. Esse processo pode alterar os minerais e gerar novas estruturas internas, responsáveis pelos padrões observados.
Os resultados confirmam teorias antigas, mas avançam ao mostrar, pela primeira vez, como esse fenômeno ocorre em escala global. A pesquisa também indica que regiões sem sinais detectáveis não necessariamente estão livres de deformação, mas podem estar além da capacidade atual de medição.
O conjunto de dados utilizado no estudo é considerado um dos maiores já reunidos e deve continuar sendo explorado em pesquisas futuras, com potencial para revelar ainda mais detalhes sobre o funcionamento do interior profundo da Terra.