Primeira evidência da matéria escura foi descoberta em 1930 (Jorg Dietrich/Observatório da Universidade de Munique)
Publicado em 3 de abril de 2026 às 05h00.
A matéria escura é uma composição que não emite ou absorve luz, mas que, segundo cientistas, compõe 27% do Universo. As pesquisas seguem em busca de entender o que é esse material e como comprovar seu impacto em outros fenômenos.
As estimativas sobre a composição do cosmos vêm de medições como as realizadas pela Missão Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA).
Elas indicam que a maior parte do Universo é formada por matéria escura e energia escura, que representa 68% do Universo.
Enquanto isso, a matéria comum, que compõe estrelas, planetas e seres humanos, representa menos de 5%.
A matéria escura é uma forma hipotética de matéria que não interage com a luz ou outras formas de radiação eletromagnética, o que a torna invisível aos instrumentos tradicionais de observação astronômica.
A primeira evidência relevante surgiu nos anos 1930, quando o astrônomo Fritz Zwicky observou que galáxias em aglomerados se moviam rápido demais para a quantidade de matéria visível existente.
Décadas depois, em 1970, a pesquisadora Vera Rubin mostrou que as curvas de rotação das galáxias indicavam a presença de massa invisível exercendo força gravitacional.
Desde então, observações adicionais reforçaram a hipótese de que existe mais matéria no Universo do que aquela que conseguimos enxergar.
Embora não possa ser vista diretamente, a matéria escura deixa "rastros" gravitacionais.
Entre as principais evidências estão:Experimentos e observatórios, como a Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) e a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), contribuem com pesquisas que ajudam a restringir modelos teóricos e entender melhor a composição do Universo.
A principal dificuldade está no fato de que a matéria escura praticamente não interage com partículas conhecidas, exceto pela gravidade.
Isso significa que detectores baseados em radiação eletromagnética, como telescópios ópticos, de rádio ou de raio X, não conseguem captá-la.
Diversos experimentos subterrâneos buscam registrar interações extremamente raras entre partículas de matéria escura e átomos comuns.
Entre eles está o Laboratori Nazionali del Gran Sasso, na Itália, que abriga detectores projetados para operar isolados de interferências externas.
Confirmar a natureza da matéria escura teria implicações profundas para a física de partículas e para a cosmologia.
Isso também poderia revelar novas partículas além do Modelo Padrão e ajudar a explicar como as estruturas do Universo se formaram após o Big Bang.
Missões futuras e novos detectores de alta sensibilidade devem ampliar a capacidade de busca nas próximas décadas.